sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A AMÉRICA LATINA DO SÉCULO XIX - BREVE RESUMO


As primeiras décadas do século XIX foram marcadas pelo movimento de independência da América Latina. Há exceções, como Cuba, por exemplo, que permaneceu como colônia espanhola até a guerra hispano-americana de 1898.

A utilização da expressão América Latina dá uma ideia de unidade sociocultural que existiria em toda a região. Com o objetivo de exemplificar as especificidades e as diversidades, poder-se-ia citar a questão do idioma. Os idiomas falados na região são diferentes, pois os elementos lingüísticos que se fundiram aos idiomas europeus são diferentes. Entretanto, a unidade pode ser observada ao se analisarem os problemas enfrentados por esta parte da América, que se estende do México ao extremo sul do continente. Durante o período colonial, a região foi submetida ao pacto colonial e precisou suportar todas as consequências desta submissão, guiada pelos princípios mercantilistas. Durante o século XIX, a necessidade de expansão do capitalismo europeu impôs a construção de uma nova ordem colonial, pois a velha economia colonial representava um obstáculo ao desenvolvimento do modo de produção capitalista.

Examinar a história da América Latina ao longo do século XIX significa compreender que os movimentos de independência não provocaram profundas transformações nas estruturas políticas e socioeconômicas.

 

 

A FRAGMENTAÇÃO DA AMÉRICA ESPANHOLA

 

Após a independência, a América Espanhola, se dividiu em vários países, ao contrário do que aconteceu no Brasil.. A divisão política pode ser explicada pelo próprio sistema colonial, que propiciava o surgimento de núcleos econômicos em ligação constante com a metrópole. Estes núcleos urbanos serão os pontos que permitirão uma direta articulação com o capitalismo internacional durante o século XIX, em torno dos quais se agruparão facções da elite que foram responsáveis pelos movimentos de independência. Além deste importante fator econômico, poderiam ser citados: a pressão inglesa, pois não era conveniente que surgisse uma nação forte; as especificidades culturais; o isolamento das áreas coloniais e as disputas pelo poder entre as oligarquias agrárias.

Os novos países se empenharam na elaboração de suas constituições, importante etapa de sua organização como Estado. Em todas as constituições podem-se identificar os princípios do liberalismo, diante da preocupação com a “liberdade, igualdade e a separação de poderes”. As constituições falam também, de República e de federalismo, seguindo o modelo da constituição dos Estados Unidos. O federalismo transportado para a realidade da América Espanhola irá se revelar ineficiente, diante da falta de tradição dos governos locais. Ao federalismo (descentralização política, liberdade ás partes) se opunha o unitarismo (centralização).

 

O CAUDILHISMO

 

A vida política dos países latino-americanos durante o século XIX foi marcada pela instabilidade política, pela submissão das massas e pelo predomínio das oligarquias rurais. Diante da ausência do poder político institucionalizado após os movimentos de independência, surgiu o CAUDILHISMO.

Podemos definir caudilhismo como sendo uma manifestação política de dominação local das massas populares por ricos e autoritários latifundiários agroexportadores. Foi típico das sociedades ruralizadas e agrárias da América de Colonização Espanhola.

 

A VIDA POLÍTICA E ECONÔMICA

 

A ideia de independência é relativa, pois os países da América Espanhola continuaram fornecendo matérias-primas e produtos primários para o mercado externo, como o estanho da Bolívia, o trigo da Argentina e o café da Colômbia e do Brasil. Em uma primeira fase, observa-se a abertura ao livre comércio e a entrada de manufaturas britânicas. A partir da segunda metade do século, ocorre a entrada maciça de capitais estrangeiros, notadamente britânicos. È clara a ligação da classe dominante hispano-americana com a burguesia industrial inglesa. Há investimentos britânicos na extração mineral, na produção agrícola, no comércio e até mesmo no setor de serviços. A ligação com um centro capitalista como a Inglaterra trouxe inúmeras mudanças no setor de transportes e na vida urbana. No que diz respeito à estrutura fundiária, a situação colonial pouco se alterou. O latifúndio com a sua produção de gêneros de exportação sobreviveu enquanto que índios e mestiços praticavam a pequena agricultura de subsistência. Com a transformação da terra em um bem capitalista, muitos foram que perderam as terras devido às leis de mercado, com a expulsão e a expropriação.

Como decorrência do caudilhismo, há uma permanência do militarismo e do personalismo na política latino-americana, apesar das modernizações que ocorreram também no nível político, como os partidos políticos e os governos presidencialistas. Por mais modernizações que ocorressem, as massas populares continuavam em situação de miséria, pois o Estado era controlado pelo capital estrangeiro e pelas oligarquias.

As tentativas de industrialização foram fracassadas, diante da falta de tarifas protecionistas e do domínio exercido pelos latifundiários na área governamental. Mais importante ainda seriam os interesses dos comerciantes que estavam associados á burguesia estrangeira e a falta de capitais. A presença do imigrante contribuiu, em parte, para o pequeno desenvolvimento industrial do século XIX.

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