segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A PIMENTA NOSSA DE CADA DIA

Originárias das Américas, as pimentas parecem ter surgido 7.000 anos a.C. na região do México Central. Acredita-se que as primeiras pimentas consumidas tenham sido coletadas de plantas selvagens e usadas como medicamento, uma prática comum dos povos maias. 
Depois disso as pimentas passaram a ser cultivadas pelos índios americanos, mas só chegaram bem mais tarde aos continentes europeu, africano e asiático, após o descobrimento do Novo Mundo. 
Vale lembrar que a história do descobrimento do Brasil está diretamente ligada às Grandes Navegações realizadas pelos portugueses com o intuito de monopolizar o comércio de especiarias como a pimenta, a canela e o açafrão. Segundo historiadores, o país foi descoberto depois que a embarcação de Pedro Álvares Cabral saiu de sua rota original, rumo à Índia. 

Seja como for, as pimentas são hoje encontradas em quase todos os lugares e consideradas, depois do sal, o condimento mais utilizado em todo o mundo.

CURSO PRESENCIAL VERSUS CURSO EaD

Curso EaD versus Curso Presencial, devemos considerar que ambos têm suas particularidades. Sabemos que é de grande relevância que a graduação presencial proporciona ao aluno uma experiência universitária única, presente nesta modalidade. Nela, é possível um envolvimento maior entre alunos e professores, com palestras e atividades extras no Campus. Não se diferencia as duas opções de curso quanto ao aspecto de aprendizagem, pois em ambos o comprometimento do discente é de fundamental importância para aprendizagem.
O EaD – Educação a distância – já é bem antigo, tendo sua primeira noticia, um anúncio das aulas por correspondência ministradas por Caleb Philips (20 de março de 1728, na Gazette de Boston, EUA), que enviava suas lições todas as semanas para os alunos inscritos. No Brasil, desde 1904, com a instalação de uma organização norte-americana, as chamadas Escolas Internacionais ofereciam cursos profissionalizantes por correspondência (Alves, 2009).
Com as inovações tecnológicas, o EaD assumiu um grande papel, que é o de oferecer educação de qualidade às pessoas que antes estavam à margem da sociedade, devido a grande extensão territorial, atingindo alguns locais que não eram atendidos por instituições de ensino. As TICs- Tecnologia da Informação e Comunicação – proporcionaram o acesso a grande maioria das instituições, tendo a disposição cursos nas mais diversas áreas. Outro diferencial é que os cursos podem ser realizados com uma maior flexibilidade de horários ao aluno, sendo que durante o curso podem haver provas e encontros marcados previamente. Essa flexibilidade é um dos principais fatores que vem tornando o EaD uma opção de estudo, principalmente para quem está a procura de um aperfeiçoamento dentro de sua área de atuação, ou até mesmo realizar um curso de graduação ou aprender uma nova atividade dentro das várias possibilidades existentes.
Não basta se inscrever em um curso EaD, é fundamental que se tenha disciplina, dedicação e comprometimento com o curso que está realizando. É importante salientar que tanto a graduação presencial quanto a EaD têm as mesmas cargas horárias e não há distinção quanto ao tipo de modalidade proposta na emissão do diploma. O Ministério da Educação exige que as provas sejam realizadas na instituição, isso se tratando de cursos de graduação.
Por trás de um EaD, existem vários profissionais envolvidos para apresentar os módulos, através do AVA- Ambiente Virtual de Aprendizagem – plataformas capazes de gerenciar o acesso dos alunos e apresentar exercícios, fóruns e várias outras atividades que são diferenciais quando se trata de curso a distância. Com isso, o professor tutor, denominação dada ao responsável por gerenciar os módulos apresentados, assume um novo papel na relação entre professor e aluno.
Com o EaD, o professor se torna um mediador e não tem o papel apenas de ensinar, mas de organizar estratégias para que o aluno conheça e construa o próprio conhecimento. Isto exige dos docentes e discentes contínuas mudanças e que estejam abertos para elas, observando com isso um campo com várias possibilidades


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

QUEREMISMO

Getúlio Vargas ascendeu à Presidência da República no ano de 1930, com a chamada Revolução de 1930, e permaneceu nesse posto até 1945, quando foi obrigado a afastar-se pela mesma conjuntura militar que havia lhe garantido subir ao poder. De 1937 a 1945, Vargas inaugurou o chamado Estado Novo, que consistia em um golpe de Estado dentro de outro golpe (a Revolução de 1930) do qual já fazia parte. As várias transformações econômicas e sociais empreendidas nesses longos anos de governo, aliadas a pesadas propagandas políticas, proporcionaram um clamor popular pela permanência de Vargas no poder. Essas manifestações populares ficaram conhecidas como “queremismo”.
A Era Vargas foi um dos períodos mais contraditórios e mais importantes da história do Brasil. Vargas desenvolveu uma habilidade política que muitos autores consideram maquiavélica, em virtude de sua versatilidade de articulação. Vargas manteve, por exemplo, relações políticas íntimas com o nazismo e o fascismo e, ao mesmo tempo, relações econômicas estreitas com os Estados Unidos. A política trabalhista e os mecanismos de propaganda são exemplos dessas articulações.
Vargas desenvolveu a indústria de base do Brasil e elaborou também uma série de leis que garantia certos direitos fundamentais para os trabalhadores. Associado a isso, Getúlio também desenvolveu uma complexa máquina de propaganda que procurava enaltecer a sua figura, assim como era feito nos regimes totalitários da Europa. Isso contribuiu para que as classes populares passassem a idolatrá-lo como ídolo, como figura paternalista.
Em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, Vargas começou a ser progressivamente pressionado para abrir o seu regime (então ditatorial) e dar a ele estruturas democráticas. Como havia deixado de apoiar os nazistas, durante a guerra, e passado a lutar ao lado das democracias ocidentais, Getúlio não poderia mais manter um sistema de governo com feições autoritárias. Sendo assim, em 1945, houve a abertura para a formação de novos partidos políticos e para uma nova disputa eleitoral.
Nesse processo, Vargas procurou articular-se com o PCB, após anistiar Luís Carlos Prestes, para tentar permanecer no poder por meio de uma nova constituinte. Todavia, não havia espaço para Vargas disputar formalmente as eleições, haja vista que sua permanência no poder já era longuíssima e o candidato de sua base era o general Eurico Gaspar Dutra, um dos homens responsáveis pela instituição do Estado Novo.
Esse contexto suscitou o “queremismo”. A população, afetada pelas reformas no âmbito trabalhista promovidas por Vargas e aclimatada pela forte propaganda que ele fizera em torno de sua própria figura, clamava pela permanência dele no poder. Os militares, percebendo o risco da permanência de Vargas no poder, obrigaram-no a renunciar em outubro de 1945. Era o fim do Estado Novo.

domingo, 25 de janeiro de 2015

FEUDALISMO


Após a morte de Carlos Magno, os seus sucessores começaram a brigar entre eles. Além disso, chegaram outros povos como os vikings, magiares (húngaros) e os normandos (vindos da Inglaterra). Os rei mostraram-se incapazes de defender as suas possessões, já que seus exércitos eram insuficientes e para melhor proteção, as terras forma divididas entre mosteiros e principalmente nobres. Isso levou ao esvaziamento do poder real. Também levou a redução substancial do trabalho escravo, na qual os ricos começam a se isolar em sociedades rurais e como consequência das invasões, a população começou a fazer o êxodo, da cidade para o campo. Para os marginalizados sem renda e ocupação e para os camponeses livres, trabalhar na terra de um grande proprietário significava cama, comida e proteção. Para o proprietário era uma forma de aumentar a forma de aumentar a mão de obra e baixar seu custo de manutenção.
As classes sociais
A sociedade feudal era dividida em três grupos: Bellatores (Guerreiros, no caso, os nobres), Oratores (Oradores, o clero) e Laboratores (Trabalhadores, os servos). os três componentes dessa sociedade tripartida foram citadas em um poema de Aldebarão de Laon (947-1030 ou 1031). Esse poema foi escrito provavelmente entre 1025 e 1027, baseando-se em textos antigo como textos bíblicos, eclesiáticos, cronistas… Abaixo, um trecho
“O domínio da fé é uno, mas há um triplo estatuto na Ordem. A lei humana impõe duas condições: o nobre e o servo não estão submetidos ao mesmo regime. Os guerreiros são protetores das igrejas. Eles defendem os poderosos e os fracos, protegem todo mundo, inclusive a si próprios. Os servos, por sua vez, têm outra condição. Esta raça de infelizes não tem nada sem sofrimento. Fornecer a todos alimentos e vestimenta: eis a função do servo. A casa de Deus, que parece una, é portanto tripla: uns rezam, outros combatem e outros trabalham. Todos os três formam um conjunto e não se separam: a obra de uns permite o trabalho dos outros dois e cada qual por sua vez presta seu apoio aos outros”.
(in FRANCO Júnior, Hilário. Idade Média. A civilização do ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2001)


Domenico Grimani. Um nobre sendo servido pelos seus cavalheiros, 1515-1520
A nobreza
Era possível estabelecer uma divisão em:
Nível mais alto – Titulados ou nobres de sangue (duques, condes, marqueses). Eram donos de enorme poder político e econômico e mantinham um estilo de vida luxuoso, também tinham os cortesão, próximos dos reis.
Nível médio – Dos cavaleiros. Eram proprietários de terras e tinham um padrão de vida alta
Nível mais baixo – Ocupado pelos fidalgos, nobres por ascedência familiar, não tinham nem dinheiro, nem terras – Muitos, inclusive, viviam na pobreza.
O castelo medieval eram a moradia dos nobres, onde viviam com serviçais, soldados e artesões, principalmente ferreiros. Inicialmente eram fortalezas militares e mantiveram esse papel, sendo protegidos por muralhas e fossos de água para impedir a penetração de inimigos. No início eram feitos de madeira e a partir do século XII passam a ser construídos de pedra. Destacava a torre de menagem (ou homenagem) onde habitavam a família do senhor e sua família. Também ficava o salão onde o senhor recebia os outros cavaleiros, bailes e recepções. Mesmo assim, não era um lugar confortável já que o frio era terrível, para isso haviam dois recursos: Grandes lareiras e muitos tapetes, a maioria vindo do oriente. Muitas cidades eram situadas dentro das muralhas dos castelos
A nobreza também era responsável pelas guerras, sendo os principais membros das Cruzadas e os que lutaram na guerra dos 100 anos. Quando não estavam guerreando, participavam de caçadas e torneios de justa. Eles também eram responsáveis pela segurança e proteção do feudo, ainda que os primeiros que atacariam seriam os camponeses, já que estariam na linha de frente dos ataques, ainda que sem treinamento. A relação de suserania e vassalagem ocorria somente entre Nobres ou entre o Alto Clero (donos de terra) e nobres. Tem mais informações abaixo sobre.
Um membro da alta nobreza poderia se tornar membro do alto clero, ainda mais nesse período medieval. Um exemplo? O papa Leão X, seu nome de batismo era Giovanni di Lorenzo de’ Medici, pertencente a família Médici, extremamente influente comercialmente na península Itálica nos séculos XV e XVI, tornou-se cardeal-diácono graças a influência do pai, aos 13 anos.
A relação vassalo-suserano
Era uma relação entre Nobres apenas, ou de Alto Clero com Nobreza. o vassalo era aquele que servia, o servidor, sendo que no século VII foi estendido também aos homens livres. Era uma relação na qual o poder era descentralizado, com o rei geralmente com pouca autoridade, sendo esta delegada aos senhores feudais era um benefício chamado beneficium (sim, foi redundante, eu sei). Numa cerimônia denominada homenagem, o proprietário que recebia o terreno -vassalo- prometia fidelidade e apoio militar ao doador -suserano. Esse, por sua vez, jurava proteção ao vassalo. O vassalo poderia ser um suserano para um outro vassalo, inclusive, repartindo as suas terras recebidas. Essa obrigação tem origem do colonato romano, que impunha fixação do homem a terra e a homenagem veio das tradições dos invasores romanos que praticavam o comitatus, que era a fidelidade entre chefes tribais e guerreiros.
Havia também,, durante a homenagem, o costume de beijar na boca como sacramentando a relação, fazendo-o tornar “homem” do outro. Abaixo, um resumo das cerimônias:
“Os laços feudo-vassálicos eram estabelecidos através de três atos… O primeiro era a homenagem, ato de um indivíduo se tornar “homem” de outro. O segundo era a fidelidade, juramento feito sobre a Bíblia ou relíquias de santos e muitas vezes selados por um beijo entre as partes. O terceiro era a investidura, pela qual o indivíduo que se tornava senhor feudal entregava ao outro, agora vassalo, um objeto (punhado de terra, folhas, ramo de árvore etc.) simbolizador do feudo que lhe concedia”
(FRANCO JR. Hilário. A Idade Média e o nascimento do Ocidente. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988)
O senhor feudal detinha o poder no feudo, tendo como privilégios: Arrecadação de tributos, aplicação da justiça, formação de milícias locais (nada de exércitos nacionais) e o de cunhar moedas. Enquanto o vassalo tinha vários deveres como de prestar serviço militar ao suserano, ajuda financeira e auxílio judiciário caso o suserano tivesse necessidade, resgatar o suserano caso ele caísse prisioneiro e contribuir com recursos para a armação de cavaleiro do filho do suserano.

Monge anglo-saxão. Livro de Kells. ~800.
O clero
Assim como a nobreza, o Clero também dividia-se em vários séqüitos:
Alto Clero – membros da nobreza feudal (papa, bispo, abade);
Baixo Clero – membros não ligados à nobreza que provinham do povo (pároco, padre, vigário). Muotos eram pobres, principalmente os curas rurais;
Clero Secular – membros em contato com os fiéis no cotidiano;
Clero Regular – membros de mosteiros, isolados do mundo (beneditinos, franciscanos, dominicanos, carmelitas e agostinianos).
A Igreja vinha se tornando poderosa devido às doações que os homens faziam em vida, como os senhores feudais que lhe doavam terra antes de morrer porque achavam nobre o trabalho de assistência aos pobres, recebia doações dos vencedores da guerra, com o tempo, a Igreja foi se tornando a maior proprietária de terras na região que atualmente é o Norte da Itália. A palavra papa foi empregado pela primeira vez pelo imperador romano Teodósio. O papa Gregório I, o Magno (590-640) unificou o governo das terras papais e o governo da igreja. Isso é um grande crescimento, já que os cristãos eram perseguidos até o imperador Teodósio determinar que seria a religião oficial do Império, em 380 e antes disso, com Constantino estabelecendo o Édito de Milão, tornando legal a religião.
O rei tinha o poder, mas quem de fato tinha o poder era a igreja que inclusive, controlava o tempo no período com sinos tocando de hora em hora, que serviam também de aviso para o labor (trabalho) monástico e rezas. Também estabeleceram as relações familiares, no qual o casamento era indissolúvel. Os monges acordavam durante as manhãs entre 2h e 3h30 da manhã, bem antes do galo cantar. A primeira ordem de monges no Ocidente teve início no século V com a origem da Ordem Beneditina, baseada no lema “Oração e trabalho” (Ora et labora). Durante a Idade Média a igreja também sofreu heresias, Igrejas que não iam de acordo com o padrão da igreja como os Valdenses que criticavam o luxo da religião (existem até hoje) e os cátaros (ou albigenses) que acreditavam na transmigração da alma, essa crença foi extinta em 1244 com o massacre de Montségur.
Combatendo heresias e resquícios do paganismo, a igreja aparelhou-se para combater as adversidades como a Excomunhão, que é a morte do fiel para a vida cristã, a Interdição, que era a suspensão das cerimônias religiosas e fechamento dos templos em certos territórios. Por fim, o Tribunal do Santo Ofício conhecida como Inquisição é um tribunal no qual a Igreja julgava os heréticos e pessoas de fé duvidosa, no qual i julgamento era extremamente prejudicial ao acusado. A bem da verdade, ele seria mais utilizado no período moderno que no medieval. Por outro lado, a igreja teve sua ação social: fundação de hospitais, orfanatos e leprosários, os tribunais eclesiásticos eram mais justos e organizados que os civis (pois é), nos mosteiros que que se conservaram textos antigos gregos e latino, quem entrasse nos domínios da igreja estaria sob o asilo de Deus, os colocando em proteção e a trégua de Deus, que estabelecia paz parcial nas guerras nos dias santificados e do anoitecer de Sexta a até a manhã de Segunda.

Vilões trabalhando no campo do Senhor Feudal
Os camponeses e os habitantes urbanos
Por fim, aqueles que pagavam imposto. Pois é, os que estão acima não pagavam nenhuma forma de imposto. Os servos trabalhavam na terra e estavam presos a ela, não podendo abandonar o feudo em que nasceram. Viviam em condições miseráveis em uma aldeia próxima do castelo do senhor, habitavam choupanas, feitas de varas trançadas e barro com somente um cômodo. Por outro lado, tinham os vilões, que eram trabalhadores livres contratados. Ambos tinham muitas obrigações servis: cuidar da terra e da agricultura a partir de um sistema de rotação trienal de cultivos, alternando em uma mesma faixa de terra, reduzindo o repouso. ELes tinham suas terras, que tiravam parte da produção para o seu sustento e o restante, entregavam ao senhor feudal. Também havia o domínio senhorial (ou domínio) que eram as melhores terras e exclusiva do senhor feudal. Por fim, as terras comuns que eram pastos, bosques e pântanos, onde se extraiam frutas e madeira. A ambos também cabia o pagamento de vários impostos, como a corveia (trabalho compulsório nos domínios do senhor 3 dias/semana), talha (parte da produção deveria ser entregue ao senhor), censo (tributo pago pelo vilão) banalidades (retribuição paga ao senhor feudal) e mão-morta (paga após a morte do servo).
A cidade medieval tinha o nome de burgo e em geral eram pequenas como Bruges na Bélgica e Gênova, Florença e Veneza na Itália com isso há um renascimento comercial lá pelo século XI, com o tempo os camponeses começam a emigrar para fugir da servidão. A maioria era de comerciantes e artesãos, os quais uma porcentagem chega a enriquecer, algo que a igreja não via com bons olhos devido à usura ser considerada pecado (o lucro, sentido diferente do atual que é relativo ao uso de juros excessivos). A alta burguesia com o tempo, se tornou proprietária de companhias de comercio, bancos, lojas, navios, terrenos urbanos, instalações industriais e de entrepostos para armazenagem de mercadorias orientais e das demais regiões da Europa dominando um mercado cada vez mais amplo, além de controlar o sistema bancário. Com o tempo, a burguesia e a igreja foram embelezando as cidades, servindo de mecenas para os artistas. Os comerciantes também faziam parte de uma corporação de ofício, que servia para manter o preço e cada rua era praticada por um ofício, como a “rua dos tintureiros”. Aqui em São Paulo mesmo existe a Rua do Curtume (curtidores de couro), onde fica o estúdio da Turma da Mônica. A cidade era administrada por um órgão do governo, a Assembleia de Magistrados, da qual somente os mais ricos podiam assumir. A arrecadação de tributos estava prevista na lei municipal e destinava-se à urbanização, à defesa militar e a construção de prédios públicos. O conselho medieval também controlava a cunhagem de moedas.

Jacquerie
Os camponeses não se rebelavam? Se rebelavam contra a sua condição sim, como eles eram os únicos que pagavam imposto, ocorreram muitas revoltas. A principal e mais conhecida foi a Jacquerie, ocorrida na França ocorrida pós peste negra em 1358. Em menos de um mês a rebelião foi detonada pelos nobres. Essa é a mais conhecida, mas ocorreram milhares de outras, como a revolta dos camponeses (ou Revolta de Tyler) ocorrida na Inglaterra em 1381, também pós-peste negra, que também foi esmagada rapidamente, ainda assim serviu para mostrar que os camponeses tinham o seu valor. Houveram também revoltas urbanas, como as que ocorreram com os artesões das regiões de Flanders (atual Bélgica) começando em 1280. Os artesões chegam a ganhar algumas batalhas. Nas regiões da Itália e da Alemanha também ocorreram revoltas, motivadas para que eles obtivessem melhores condições de trabalho, na Alemanha eles chegaram até a destronar o governo local. A greve era considerada um crime na época e até recentemente era considerada como tal, até a instituição das leis trabalhistas.
As minorias
Muitos eram excluídos na sociedade feudal, só observar que a vida dos camponeses já não era boa. Doentes mentais serviam de bobos da corte, aqueles que sofriam epilepsia chegavam a recorrer até mesmo ao exorcismo e os que tinham doenças contagiosas como a coqueluche e a meningite eram isolados. Os leprosos (portadores de hanseníase) eram proibidos de entrar na cidade e ficavam confinados em leprosários ou gafarias, era normal achar que era um castigo divino e também à perversão sexual. Também havia prostituição ma Idade Média confinadas em bairros e ruas próprias (daí vem o termo “zona”), as que agissem fora dos limites designados sofriam castigos severos cujos clientes habituais eram jovens solteiros, homens casados,viajantes, comerciantes em trânsitos, marujos, estrangeiros e mesmo padres ou outros religiosos fugindo da castidade. Em relação aos mendigos, era dever do bom cristão dar esmola a eles, conforme lembravam os padres e pregadores ou o fornecimento de abrigo geralmente concedido pelos religiosos, enquanto isso, as autoridades governamentais tentavam evitar a entrada deles na cidade, em 1388 uma lei inglesa proibiu a mendicância e a vagabundagem, eles passaram a ser caçados, aprisionados e postos nas estradas. Em Paris após 1351 também incluía penas de prisão, marcas de ferro em brasa e banimentos. No máximo, de forma geral, era permitido somente a permanência de uma noite, sob pena de enforcamento. Na Itália e na Espanha era possível trocar a estadia ou a comida por trabalhos comunitários. Também haviam minorias religiosas e étnicas como os judeus, que nessa época eram tratados vistos como seguidores de Satã, eles eram malvistos devido a seus empréstimos a juros e a segregação começou a partir do século XII, no IV Concílio de Latrão (1215) obrigou aos judeus o uso de vestuário coma cor amarela, braçadeira ou chapéu cônico. No mesmo século começou a perseguição aos judeus com movimentos armados que resultaram em massacres e decapitações. No século XV, as próprias autoridades começaram a tomar medidas contra os judeus, os expulsando dos seus territórios todos aqueles que não aceitaram o batismo cristão de forma obrigatória.
Querem sugerir temas para essa seção? Aproveitem, deem sugestões à vontade!
Bibliografia
ALBA, J. e ISAAC, J. História Universal. Idade Média. São Paulo: Mestre Jou, 1967.
BASCHET, Jerôme. A civilização feudal. Do ano mil à colonização da América. São Paulo: Globo, 2005.
BLOCH, Marc. A sociedade feudal. Coleção Lugar da História. Lisboa: Edições 70, 1987.
COSTA Luís César Amad e MELLO, Luís César Amad. História Antiga e Medieval. Da comunidade primitiva ao Estado Moderno. São Paulo: Abril Educação, 1985.
DUBY, Georges. As três ordens ou o imaginário do feudalismo. Lisboa: Estampa, 1994.
Enciclopédia do Estudante. Volume 04 – História Geral. São Paulo: Moderna, 2008.
FRANCO JÚNIOR, Hilário. O feudalismo. Coleção Tudo é história. São Paulo: Brasiliense, 1986.
LE GOFF, Jacques (dir). O homem medieval. Lisboa: Presença, 1990.
MACEDO, José Rivair. Viver nas cidades medievais. São Paulo: Moderna, 1999.
PAIS, Marco Antonio de Oliveira. O despertar da Europa – A baixa idade Média. São Paulo: Atual, 1992.


domingo, 4 de janeiro de 2015

ARISTÓTELES SEMPRE ATUAL



Ainda a Grécia. Neste caso, a clássica. Aristóteles — sempre hodierno e pedagógico – deixou-nos na obra Retórica a sua tese sobre a argumentação. Fê-lo com base em três conceitos: Ethos, Pathos e Logos.
Ethos que se exprime numa argumentação radicada no carácter do orador. Diríamos hoje, baseada numa praxis de valores, princípios de conduta e virtudes. Através do ethos, o discurso torna-se digno de confiança e de credibilidade. É a consagração da retórica por via da personalidade do comunicador.
Pathos significa uma retórica centrada na emoção, no estado emocional do auditório. Aquilo a que hoje associamos o dom do carisma e da capacidade de convencimento, através da inteligência emocional e da persuasão por via dos sentimentos que induzam à receptividade de quem ouve. Se for exclusivo na retórica argumentativa, o pathos pode degenerar facilmente em manipulação e demagogia.
Diferentemente do ethos, centrado na pessoa do comunicador e do pathos,percepcionado do lado do receptor da comunicação, o logos valoriza a própria comunicação e argumentação. Apela por isso à razão, à logica e estruturação da linguagem e à solidez baseada no saber e no conhecimento.
É bom regressar a esta profunda actualidade aristotélica e percebermos o que se está a passar comunicacionalmente no mundo contemporâneo. Na coisa pública, sobretudo, mas não só. E observarmos como é escassa a conjugação plena do ethos, pathos e logos em tanta e prolixa argumentação que nos invade o dia-a-dia. E como escasseiam os exemplos e as personalidades que preencham estes três requisitos, com a inteligência e sensatez da razoabilidade. Ou, em política, como se faz a diferença entre um vulgar político, um esforçado líder e um denso estadista.
Com base nestas três exigências aristotélicas da boa retórica argumentativa, podemos imaginar uma matriz com todas as suas combinações possíveis. Convido-me e convido cada um dos leitores a preenchê-la com personalidades de ontem, de hoje ou de sempre.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

AS MODALIDADES DE AVALIAÇÃO DISCENTE NO ENSINO SUPERIOR À DISTÂNCIA: EFICIÊNCIA DOS INSTRUMENTOS

RESUMO:
Este texto, elaborado a partir de estudos bibliográficos, tem com objetivo levar a uma reflexão sobre o processo da avaliação da aprendizagem, nos cursos à distância, o qual serviu e serve a interesses mercantis e financeiros das elites dominantes e não dos discentes.
Desenvolvemos o estudo deste caso para identificar as percepções dos tutores e orientadores do curso sobre sua responsabilidade na classificação, regulação e a sujeição dos discentes aos processos produtivos, nesta fase já foi possível identificar manifestações de conflitos moral e cognitivo entre os tutores e os discentes quanto ao desempenho acadêmico.
       1) A CRÍTICA 
Quando tratamos de crítica aos métodos de avaliação dos cursos EAD sabemos que estamos nos arriscando em um terreno perigoso, afinal cursamos esta pós-graduação na modalidade EAD e observamos que o discurso do mesmo fundamenta sua proposta pedagógica numa abordagem construtivista, e num sistema de avaliação processual e contínua sob a responsabilidade do tutor ou do professor.
Neste processo-pedagógico podemos afirmar que a figura do professor detém um dos papéis mais relevantes pois é simultaneamente professor e avaliador, ou numa expressão comum é promotor, juiz e membro do conselho de sentença simultaneamente; sua avaliação se dá baseada em seus conhecimentos, experiências, crenças e valores; corroboram para este nosso posicionamento o que afirma Sordi (apud CHUEIRI, 2008): “uma avaliação espelha um juízo de valor, uma dada concepção de mundo e de educação, e por isso vem impregnada de um olhar absolutamente intencional que revela quem é o educador quando interpreta os eventos da cena pedagógica” (p.52).
2) PROBLEMA
Na modalidade a distância, há uma estreita relação entre a tutoria e a avaliação, as delimitações entre estes são difusas, tornando impossível ao estudante perceber como está organizado o sistema avaliativo e o processo de acompanhamento do aprendizado, levando o discente a questionar-se se de fato existe tal acompanhamento.
3) HIPÓTESE
Como é possível a um curso que se propõe progressista pautar-se num modelo tradicional, quase arcaico de avaliação como testes ou apresentação de trabalhos com pontuações, avaliar para classificar, ou pontuar é uma das mais tradicionais concepções acerca da avaliação escolar; de fato, desde o período Joanino na educação brasileira os alunos são comparados a partir de um “score”, de uma tabela, um padrão determinado pelo professor ou pela instituição, esta avaliação fornece pouca ou nenhuma informação sobre o conhecimento efetivamente adquirido pelo discente, ou o domínio deste sobre o conteúdo sua única função é a padronização; o foco não é o real aprendizado, mas uma tabela programada, repetida inúmeras vezes ao longo dos semestres. Fundamentam nossa afirmação
o fato da avaliação assumir, frequentemente, o sentido de premiação ou punição. Essa questão torna-se mais grave na medida que os privilégios são justificados com base nas diferenças e desigualdades entre os alunos. Fundamentada na meritocracia (a ideia de que a posição dos indivíduos na sociedade é consequência do mérito individual), a Avaliação Classificatória passa a servir à discriminação e à injustiça social (DICIONÁRIO DA EDUCAÇÃO, 2008, s/p.).
4) OBJETIVO                     
                O que buscamos aqui é determinar se os modelos avaliativos da educação à distância estão em consonância com o discurso transformador e sóciointegrador da retória que o sustenta, ou se ao contrário trata-se de uma concepção de ensino tradicional, conservadora,  que prioriza transmissão do conhecimento calcada na medição do quanto o aluno alcançou dos conteúdos apresentados ou trabalhos solicitados, e o quanto não conseguiu assimilar  no modelo tradicional este medir dá-se via nota, conceito ou menção.
Numa proposta pedagógica transformadora a IES deveria buscar privilegiar o processo de construção do conhecimento do discente.
5) JUSTIFICATIVA
Embora indispensável para a sobrevivência financeira e sustentabilidade da universidade, a padronização das avaliações e pode ser alvo de interesse da comunidade universitária nos caso do corpo docente.  E os tais critérios de avaliação ou pontuação são construções, demarcados por alguém a partir de sua própria percepção e em consonância com os interesses da IES que a contratou, facilitam sobremaneira o trabalho de avaliação da aprendizagem do tutor ou professor no modelo tradicional de ensino e causa distorções; corrobora tal afirmativa Habermas (1983), que defende o paradigma da comunicação, a verdadeira objetividade é a intersubjetividade, isto é, o consenso, no nosso caso, entre os especialistas, os orientadores e os acadêmicos, sobre os critérios em que se dará o processo avaliativo; e também a sustentação de Loch (2000):
[...] que avaliar não é dar notas, fazer médias, reprovar ou aprovar os alunos. Avaliar, numa nova ética, é sim avaliar participativamente no sentido da construção, da conscientização, busca da auto critica, auto-conhecimento de todos os envolvidos no ato educativo, investindo na autonomia, envolvimento, compromisso e emancipação dos sujeitos (p. 31).
6) FUNDAMENTAÇÃO E CONCLUSÕES
A educação tradicional, que mede e classifica, não consegue medir o profissional totalmente formado, por este motivo foi substituída pelos teóricos pelos modelos progressistas, construtivistas e interativos. Como é possível então adotar nas IES um discurso progressista se não utiliza-se parâmetros progressistas na avaliação; como podemos afirmar que os cursos superiores na modalidade à distância enfatizam o que foi aprendido, como foi aprendido o que ficou faltando no processo e aprendizado e por que se a forma de diagnóstico desta avaliação foram procedimentos pautados em formulários?
Nessa lógica, o erro, a falha não pode ser passível de punição, pois a própria estrutura da educação está equivocada não integra o aluno rumo à sua aprendizagem; em uma prática pedagógica emancipadora, consonante com os modelos construtivistas e progressistas a avaliação investigativa e processual é destacada, não a avaliação classificatória baseada em um placar.
A avaliação deve antes de tudo investigar os progressos e dificuldades dos discentes, ou seja a avaliação não pode ser um fim e si mesma, mas uma ferramenta para alcançar os objetivos propostos pela Instituição, onde a identificação dos progressos e avanços do aluno leve à alteração de sua auto-estima, condição indispensável para que o aluno tenha interesse, motivação na construção do conhecimento e de fato, aprenda. Por outro lado, a identificação das dificuldades, realizada numa ação dialógica entre professor e aluno, e as providências para saná-las, garante ao discente a certeza que a instituição está interessada em seu progresso acadêmico e não apenas nos valores que recebe.
7) REFERÊNCIAS                                
BASCKES, Dorimar Daal Bosco, Tese de Mestrado: Avaliação Do Processo Ensino Aprendizagem: Conceitos E Concepções Disponível em : http://www.nre.seed.pr.gov.br/cascavel/arquivos/File/Equipe%20Pedagogica/producao_dorimar.pdf, acessada em 20/12/2014
DEMO, Pedro. Teoria e Prática da Avaliação Qualitativa. Temas do 2º Congresso sobre Avaliação na Educação. Curitiba, 2004.
Dicionário da Avaliação. Disponível em http://crv.educacao.mg.gov.br/sistema_crv/index2.aspx??%20ID_OBJETO=23967&ID_PAI=23967&AREA=AREA&P=T&id_projeto=27  acesso em 29/10/14
HABERMAS, Jürgen (1983). Conhecimento e Interesse. In: Habermas, J.; Benjamim, W. et al. Os Pensadores. S. Paulo: Abril Cultural
GHIRALDELLI, Junior P. História da Educação. São Paulo: Cortez, 1991
LOCH, J. M. de P. Avaliação: uma perspectiva emancipatória. In: Química na Escola, nº 12, novembro, 2000.
LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições, 14 ed.São Paulo: Cortez, 2002
 ________Avaliação da aprendizagem na escola: reelaborando conceitos e recriando a prática. Salvador: Malabares Comunicação e Eventos, 2003 MENGA, L, MEDIANO. Z, Avaliação na Escola de 1º grau: uma análise sociológica – Campinas, SP: Papirus, 1992.
PRETI, Orestes . Tese defendida: “Avaliação Da Aprendizagem Em Cursos A Distância: “Delegando Responsabilidade Aos Tutores”?” Núcleo de Educação Aberta e a Distância (NEAD) – Instituto de Educação – Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – Brasil – disponível em http://www.uab.ufmt.br/uploads/pcientifica/avaliacao_aprendizagem.pdf. Acessada em 03/12/2014
ROMANOWSKI, Joana P.; Wachowicz, Lílian A. (2005). Avaliação Formativa no Ensino Superior: que referenciass manifestam os professores e os alunos? In: Anastasiou, Lea das Graças C.; Alves, Leonir P. (Org.). Processos de Ensinagem na Universidade. 5 ed. Joinville, SC.: UNIVILLE, p. 121-139
VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez (1985). Ética. 8 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O EFEITO DO ELOGIO SOBRE O INTELECTO INFANTIL


Este blog já existe há algum tempo. E frequentemente tenho insistido sobre a importância da família no processo educacional de jovens e crianças. No entanto, pouco tenho detalhado sobre o tema. Por conta disso, preciso remediar esta falha. Já publiquei quase três anos atrás uma postagem sobre como explicar as usuais críticas ao realismo em mecânica quântica para crianças. E mais recentemente veiculei um texto sobre como explicar a teoria da relatividade especial para crianças. Mas agora o tema é mais abrangente: Como estimular a inteligência desses futuros adultos a partir de elogios.
Para dar suporte às ideias aqui apresentadas, tomo como base um detalhado e demorado estudo publicado em 2013 no prestigiado periódico Child Development
De acordo com a teoria da habilidade incremental, inteligência é algo que pode ser desenvolvido. Não se trata de uma característica inerente e imutável com a qual uma pessoa está destinada a viver para sempre. No entanto, o leitor deve ter muito cuidado com esta visão. Em momento algum se afirma que uma pessoa de inteligência normal possa se tornar um gênio ou um superdotado. Apenas se afirma que inteligência pode ser melhorada com estímulos adequados. E um dos possíveis estímulos é o elogio. Mas como deve ser o elogio, quando se trata de crianças?
Um elogio da forma "Nossa, como você é inteligente!" é extremamente inadequado. Isso porque a criança pode se sentir inútil e indefesa diante de uma futura tarefa difícil. E a tendência é ela desistir da busca por soluções para problemas mais complexos, justamente porque não quer mais errar. Esta tendência foi claramente identificada pelos pesquisadores do artigo acima citado, com efeitos muito negativos a curto e médio prazo. 
No entanto, um elogio da forma "Gostei da maneira como você resolveu este problema" ou "Gostei de ver seu empenho" é um estímulo à motivação. Esta atitude é a mais recomendável para crianças entre um e três anos de idade, apresentando reflexos positivos até cinco anos depois. 
Ou seja, crianças não devem se sentir intelectualmente superiores. O que elas precisam é da motivação para se tornarem cada vez melhores. A referência para a criança, portanto, não é a comparação dela com outras, mas a comparação dela com ela mesma. O elogio deve exercer influência positiva sobre a criatividade da criança para encontrar soluções.
Espero que o leitor também perceba que elogios não podem surgir gratuitamente, sem uma permanente oferta de desafios. Elogio é apenas um dos estímulos. Um problema a ser resolvido já é outro. 
Esta recente descoberta em psicologia cognitiva infantil está em perfeita sintonia com a visão meramente intuitiva de Terence Tao, matemático ganhador da Medalha Fields. Segundo ele, para fazer contribuições relevantes em matemática não há necessidade de ser um gênio. Precisa sim de uma certa inteligência. Mas também precisa trabalhar duro, conhecer bem sua área específica de estudos, conhecer outras áreas de estudos, conversar com outros matemáticos, formular questões e ter muita paciência. O que incrementa inteligência é a capacidade de encarar desafios, mesmo que eles não sejam superados. 
Para finalizar esta postagem, eu gostaria de recomendar um jogo de tabuleiro que conheci durante minha infância e que lamentavelmente não vejo mais entre crianças de hoje. O nome do jogo é Caixa Negra. É um excelente estímulo para crianças de até dez anos de idade desenvolverem intuições sobre realidades não visíveis a olho nu. Caixa Negra é uma brincadeira brilhante que sugere a investigação de mundos invisíveis a partir de seus efeitos sobre o mundo visível. Espero que o leitor aprecie o valor deste jogo tanto quanto eu.