domingo, 28 de setembro de 2014

REPÚBLICAS POPULISTAS NO BRASIL DE DUTRA A JANGO

O link abaixo dá acesso a uma apresentação sobre os governos populistas do Brasil no período de 1945 a 1964.



https://docs.google.com/presentation/d/1KauMJdGbxiSTsW6zj5CgVv4fAp3qe35jh3HPAgMxTYc/edit

domingo, 14 de setembro de 2014

O XADREZ DAS CORES (vídeo completo)



Audacioso e provocante, o filme O Xadrez das Cores traz uma história densa, que se desenvolve como um jogo de xadrez. A temática séria e profunda fala da discriminação racial.
"Pela educação pode-se combater, no plano das atitudes, a discriminação manifestada em gestos, comportamentos e palavras, que afasta e estigmatiza grupos sociais. Contudo, ao mesmo tempo em que não se aceita que permaneça a atual situação, da qual a escola é cúmplice ainda que só por omissão, não se pode esquecer que esses problemas não são essencialmente do âmbito comportamental, individual, mas das relações sociais, e que como elas têm história e permanência. O que se coloca para a escola é o desafio de criar outras formas de relação social e interpessoal, por meio da interação o trabalho educativo escolar e as questões sociais, posicionando-se crítica e responsavelmente diante delas". (PCN Pluralidade cultural, p23 e 24)
É uma das responsabilidades da escola levar os alunos a assumirem uma postura ética e responsável diante da diversidade cultural e étnica. 
De acordo com o dicionário Michaelis on line
discriminar: dis.cri.mi.nar (lat discriminare) vtd 1 Discernir: Discriminar as causas de uma situação. 2 Diferençar, distinguir: Já os olhos mal discriminavam os caracteres. 3 Separar: Discriminar argumentos, razões. Discriminava bem umas das outras razões. 4 Classificar especificando especificar. 5 Tratar de modo preferencial, geralmente com prejuízo para uma das partes.
Sobre discriminação racial, a definição que mais se enquadra é "Tratar de modo preferencial, geralmente com prejuízo para uma das partes". É sobre isso que trata O Xadrez das cores. Cida está em prejuízo em sua vida e, por dinheiro, precisa se sujeitar a situações degradantes protagonizadas por sua patroa branca e racista.
Por muito tempo aprendemos na escola, uma versão pouco conflituosa, como se os negros tivessem sido trazidos e aceitando a condição sub-humana a que foram submetidos. O ensino de História avançou e, assim as atividades propostas em sala de aula devem buscar uma visão mais contextualizada e menos romanceada da participação dos negros na História e os reflexos dessa construção histórica nos dias atuais.
É necessário ver o negro como um povo que tem direitos e deveres é preciso vê-lo como cidadão. Essa soberania existe em leis, mas na prática, ainda há muita injustiça.
O Xadrez das Cores é um filme que nos incomoda, é impossível manter-se distante da tensão das personagens. A forma como a história é construída nos convida a participar do enredo. Vamos tomando parte do jogo. A alusão ao jogo de xadrez é outro elemento intrigante, esse é um jogo de raciocínio. Está feito o convite para alunos e professores: para combater a discriminação é preciso pensar, refletir, entender as raízes do preconceito.
Precisamos unir nossas vozes na luta contra o preconceito, e como em um jogo de xadrez, saber faz toda a diferença. O conhecimento pode ser conquistado e
assim como faz a personagem Cida, é preciso virar o jogo.
As personagens do filme apresentam-se como forças contrárias: rico e pobre, o branco, o negro, a patroa, a empregada. Apesar da relação contrária existente, ambas possuem em comum a força, a determinação. Maria insiste em oprimir, Cida aceita por causa da necessidade da situação, mas utiliza-se do tabuleiro do xadrez para conhecer sua oponente. Não se satisfaz com suas derrotas. Apesar de ver suas peças negras sendo jogadas no lixo prazerosamente por sua patroa, estuda a adversária, busca um conhecimento que não tem.
Uma das mais belas lições do filme é a negação do conformismo, da busca pelo conhecimento para a transformação dos fatos. É alquimia do conhecimento. É esse desejo que a escola tem que despertar.
O jogo de xadrez é outra bela simbologia... Tem os peões, o rei, a rainha, o movimento das peças... O objetivo do jogo é que cada jogador é coloque o rei adversário "sob ataque", de tal forma que o adversário não tenha lance legal a
evitar a "captura" de seu rei no lance seguinte. O jogador a alcançar tal objetivo, ganhou a partida e diz-se, deu "mate" no adversário. O jogador que levou o mate perdeu a partida. É um jogo de raciocínio, de inteligência, no qual o tabuleiro é o palco aonde os personagens vão mostrando suas habilidades. Competências estas que são conquistadas a cada movimento, a cada jogada. Como o ser humano que se desenvolve, não nasce pronto, mas vive suas escolhas. A forma como conduzimos nossas vidas indica o quanto iremos evoluir.

Cida representante da classe mais excluída de nossa sociedade deixa-nos a vontade de persistir, de mudar, de levar o jogo, o lúdico, o envolvimento aonde era só esquecimento.
Está feito o convite para que todos os educadores provoquem o debate. É no confronto de ideias que a escola pode tentar garantir o espaço da diversidade e do respeito. Dizem que a Arte fala ao coração dos Homens. Que este vídeo seja o inicio de uma obra de conscientização da preservação de todos os povos.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

OS DESAFIOS DO ENSINO À DISTÂNCIA COM QUALIDADE

O Índice do Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb) inova e subsidia políticas de Educação com metas a serem atingidas até 2021. Dados de 2013 mostram que o Ensino fundamental (1º ao 5º) no Brasil alcançou a meta melhorando de (4,7 para 4,9). Destaque para Minas Gerais com três anos de liderança com média 6,2 superando as médias nacionais.
Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina também tiveram destaque. Entretanto, nos anos finais do Ensino fundamental (6º ao 9º anos), a meta não foi alcançada: a nota 6,5 desceu para 6,3. As piores notas são do Pará, Rio Grande do Norte e Alagoas.
O Ensino médio continua sendo o maior desafio. A meta nesse âmbito era de 3,9 e ficou em 3,7. Considerando o Ideb total redes pública e privada 23 estados ficaram abaixo da meta. Ficaram acima da média Amazonas, PE, RJ e Goiás. Na rede estadual de Ensino, que detém 80% das matrículas, apenas cinco estados estão acima da meta: AM, Piauí, PE, GO e RJ.
Os outros 20 estados mais o Distrito Federal ficaram abaixo da meta esperada. Nos anos finais, a meta era 4,4, mas o resultado foi de 4,2. Melhores índices foram de MG, GO, Acre, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Importante destacar e analisar melhorias em regiões diversas e fora do eixo tradicional.
O Ensino médio constitui o maior nó da Educação brasileira e primordialmente é responsabilidade dos estados. A União tem o papel de induzir e sustentar políticas para melhorias. As ações do Ministério da Educação (MEC), com os estados, têm aumentado e precisam ser intensificadas. O governo precisa pactuar currículos e metodologias com os gestores locais.
Com o Plano Nacional da Educação (PNE), o MEC terá que coordenar esse processo de articulação e trabalhar para a construção de uma base nacional comum levando à melhorias. Ponto positivo visto pelo ministério é que os esforços feitos nos anos iniciais do Ensino fundamental surtiram efeitos com índices melhores. Usando articuladas estratégias de ações entre União e estados poderemos ter também melhorias nessas etapas críticas.
Pela primeira vez, o Ideb identificou queda nas notas do Ensino médio e no último ano do fundamental, caindo de 5,7 para 5,4. O aumento de matrícula de Alunos da rede pública na rede privada decorre da melhoria de renda dos brasileiros? São dados preliminares que precisam ser analisados. Importante o programa Pronatec voltado para o mercado de trabalho no Ensino médio, mas é preciso reforçar o Ensino médio com conteúdos e metodologias competentes que preparem melhor Escolas públicas para as universidades com o ingresso pelos programas de inclusão como Enem, Prouni, Ssisu e cotas. Com conteúdos sólidos em todas as áreas do conhecimento, o Aluno precisa estar bem preparado para as universidades.
A evasão no Ensino médio e, agora, no Ensino superior, também assustam. Em 2012, apenas 51,8% dos jovens de até 19 anos haviam concluído os anos finais da Educação básica brasileira segundo o relatório do IBGE “Todos Pela Educação”. Por que tanta evasão e como manter o Aluno na Escola na adolescência? O Brasil perde R$ 9 bilhões com evasão no Ensino superior que, em 2013, teve a marca de 7,3 milhões de matrículas nos cursos de graduação: presenciais e cursos a distância.
A média da evasão em 2009 foi de 20,9%, segundo censo do MEC. Apenas 47,2% dos estudantes se titularam após quatro anos de curso. São dados novos, complexos e preocupantes, que demandam pesquisas e análises minuciosas e ações efetivas para melhorar esse grave quadro de evasão.
O gasto público com Educação no Brasil representa 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e em 2012 foi de 6,4, estando acima da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), assim como acima de outros países latino-americanos como Chile, México, e Colômbia. Como percebemos, a destinação de verbas para a Educação é boa e maior que muitos países que estão com melhores índices que o Brasil.

Com certeza, falta uma gestão competente e eficaz em todos os níveis de Ensino capaz de converter os altos gastos públicos em ganhos reais na qualidade de Ensino da Educação brasileira.

domingo, 7 de setembro de 2014

DIDÁTICA - CONCEITO SIMPLIFICADO

O termo didática foi instituído por Comenius (Jan Amos Komensky) em sua obra Didática Magna (1657), e originalmente significa “arte de ensinar”. Durante séculos, a didática foi entendida como técnicas e métodos de ensino, sendo a parte da pedagogia que respondia somente por “como” ensinar. Os manuais de didática traziam detalhes sobre como os professores deveriam se portar em sala de aula. Tradicionalmente, os elementos da ação didática são: professor, aluno, conteúdo, contexto e estratégias metodológicas.
Com o estudo dos paradigmas educacionais nos cursos de pedagogia e de formação de professores, amplia-se o conhecimento em relação à didática. Em cada tendência pedagógica diferem visão de homem e de mundo e modifica-se a finalidade da educação, mudam o papel do professor, do aluno, a metodologia, a avaliação, e, consequentemente, muda-se a forma de ensinar.
Atualmente, a didática é uma área da Pedagogia, uma das matérias fundamentais na formação dos professores, denominada por Libâneo (1990, p. 25) como “teoria do ensino” por investigar os fundamentos, as condições e as formas de realização do ensino. Segundo Libâneo (1990):
“...a ela cabe converter objetivos sócio-políticos e pedagógicos em objetivos de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos. [...] trata da teoria geral do ensino”
A disciplina de didática deve desenvolver a capacidade crítica dos professores em formação para que os mesmos analisem de forma clara a realidade do ensino. Articular os conhecimentos adquiridos sobre o “como” ensinar e refletir sobre “para quem” ensinar, “o que” ensinar e o “por que” ensinar é um dos desafios da didática. Segundo Libâneo (1990), a didática é:
“ uma das disciplinas da Pedagogia que estuda o processo de ensino através de seus componentes – os conteúdos escolares, o ensino e aprendizagem – para, com o embasamento numa teoria da educação formular diretrizes orientadoras da atividade profissional dos professores.”
Esse mesmo autor indica que a didática “investiga as condições e formas que vigoram no ensino e, ao mesmo tempo, os fatores reais (sociais, políticos, culturais, psicossociais) condicionantes das relações entre docência e aprendizagem”.

A didática, fundamentada na dialética, é um campo em constante construção/reconstrução, de uma práxis que não tem como objetivo ficar pronta e acabada.

domingo, 10 de agosto de 2014

O QUE FOI O AI-5

O  que foi.
Ato Institucional AI 5.
Medida jurídica de exceção.
Contra o Estado de Direito.
Com a finalidade de preservar.
O Regime Militar.
Evitar a redemocratização da nação.
Portanto, um ato de natureza fascista.

Estabelecido por um regime de exceção.
De caráter autoritário.
Editado em dezembro 1968.
Vigorando durante o período.
Da ditadura militar.
Objetivo do ato.
Exterminar com as liberdades individuais.
Estabelecendo definitivamente.
O poder político dos militares.
Com o pretexto.
Como se o Brasil estivesse.
Na eminência de uma revolução.
Marxista.
Uma das loucuras da direita brasileira.

Contra as classes populares.
Como se o povo estivesse.
Articulado.
Em defesa do socialismo.
Pro Soviético.
O  Brasil pudesse alinhar.
Ao governo de Moscou.
Defendendo as ideias da KGB.
Contra as orientações do pentágono americano. 
AI 5.
Foi um dos delírios fascistas do Regime Militar.
No Brasil.
Em defesa da Filosofia política.
O neoliberalismo econômico.
O ato Institucional AI 5.
Contrariamente aos demais atos.
Que antecederam.
Pois legalmente.
Não tinha determinação de vigência.
O que tratava não significar.
Como medida excepcional de transição.

É a leia mais fascista.
Da história do Brasil.
Desde a sua colonização.
Coroa e republica.
O ato AI 5.
Conferia poderes excepcionais.
Semelhantes ao do Regime Nazista.
Na Alemanha de Hitler.
Nem mesmo os reis.
Das monarquias nacionais.
Na Europa.
Tinham tanto poderes.
Semelhante ao fascismo italiano.
O Presidente da Republica.
Era superior a todas as Instituições.
O Estado era o militarismo.
A nação os generais.
A burguesia o comandante geral.
Do reacionarismo econômico e político.


O ato dava autoridade ao Presidente da República.
Fechar o congresso.
Do modo que ele bem entendesse.
Cassar os mandatos.
Sobretudo, das esquerdas do Brasil.
Ou dos partidos.
Que lutavam para redemocratização.

O ato AI 5.
Dava direito ao Presidente.
Suspender todos os direitos políticos.
Do cidadão brasileiro.
Demitir ou aposentar.
Os servidores públicos.
Que fossem contrários.
Ao Regime Fascista do Brasil.

O Ato AI5.
Era tão de direita e nazista.
Que suspendia a garantia constitucional.
Da ampla defesa do acusado.
Negava a presunção da inocência.
Retirando do cidadão brasileiro.
O direito da habeas corpus.
Nem mesmo a Inquisição medieval.
Fora tão ditatorial.
Pois as pessoas só eram condenadas.
Após a realização de suas defesas.
Motivo pelo qual.
Não é nenhum exagero.
Comparar o ato AI5.
Com Regime de Exceção de Hitler.

O cidadão brasileiro.
Não tinha nenhum direito.
Quando era enquadrado.
Em crimes contra a ideologia de segurança nacional.
Ou inflações  contra ordem econômica social.
Como também  a defesa da suposta.
Economia popular.
O golpe militar.
 Foi uma exigência da burguesia brasileira.
Que na história política do Brasil.
Tem feito de tudo.
Para evitar transformações.
Econômicas em benefício das classes pobres.
Essa burguesia.
Historicamente.
Derrubou Getulio Vargas.
Levando ao próprio suicídio.
 Não porque Getulio fora ditador.
Mas devido ter realizado.
Medidas sociais.
Em benefício dos trabalhadores.

A mesma burguesia.
 Criou uma convulsão nacional.
Até a derrubada.
Do governo João Goulart.
Não pelo fato de João Goulart.
Ter sido socialista.
Pois nunca fora.
Mas em razão.
Das realizações populares.
Em benefícios dos trabalhadores.
O motivo do financiamento da ditadura militar.
A derrubada do governo democrático.
Anterior.

A burguesia sempre esteve disposta.
A tudo.
Ela mesma cria situações.
Para jogar a sociedade.
Que é despolitizada.
Contra os governos sociais.
Tem sido desse modo historicamente.
No Brasil.
E não acredito que será muito diferente.
Às vezes o fascismo se repete no mundo.
Caracterizando como regimes democráticos.
Refiro ao governo italiano.
Mais recentemente.
Para não dizer outras formas de governo.
Espalhados pelo mundo.
É fundamental que a sociedade seja crítica.
Politicamente.
Atenta inclusive com a história política do Brasil.
Quais são os verdadeiros motivos.
Das ações políticas no Brasil.

É muito tarde para prevalecer o espírito ingênuo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

DOCÊNCIA REFLEXIVA PARA UMA EDUCAÇÃO EMANCIPATÓRIA


INTRODUÇÃO
O desencadeamento deste estudo fundamenta-se numa reflexão realizada em torno de minha trajetória escolar, desde o ingresso na pré-escola até os dias de hoje nas aulas da especialização. Ao observar como o processo de ensino vem sendo desenvolvido, através da prática pedagógica dos professores, articuladas ou não, com as características que são solicitadas no contexto atual do campo profissional.

Pude perceber que, apesar das demandas do mundo do trabalho exigirem um profissional autônomo e crítico; a escola, a qual possui papel fundamental para desenvolvimento da sociedade, não tem conseguido contribuir para a formação de sujeitos com tais características. Ainda que, vivencie-se atualmente um período de reformas na Educação e todas justificadas para que as mudanças ocorram em função da rapidez com que as informações são processadas, com o advento das inovações tecnológicas que transformam tanto o cenário internacional como nacional; o pensar a Formação de Professores, significa que os educadores, acadêmicos e alunos encontram-se insatisfeitos com os modelos atuais, e isso representa um desafio enorme.

DESENVOLVIMENTO
Quando analisamos etimologicamente o que seja reflexão nos deparamos como o ato de analisar as razões de algo, assim podemos afirmar que refletir é o ato consciente de investigar, e apenas nos propomos a investigar algo com a finalidade de conhecê-lo minimamente, desta forma como podemos refletir a Educação se dela já temos conhecimento? Talvez o correto fosse afirmar que precisamos redescobrir a Educação.

Quando trazemos a ação do docente para o universo da pesquisa, da reflexão, notamos que a prática docente não se limita a ensinar, sua atuação precisa transcender os espaços educativos, o modelo “giz, lousa e saliva”, tão propalado como funcional, já não é o bastante, há a necessidade urgente de ocupar-se os espaços educativos, se o que se pretende é valorizar as formas de pensar e agir dos educadores, conscientizando-os como atores do conhecimento, é mandatório refletirmos sobre a prática educativa, base das transformações na Educação.

Observamos, no entanto, que não há interesse político na formação e no desenvolvimento de indivíduos conscientes e cientes de sua realidade, num país com níveis de analfabetismo alto como o nosso, os detentores do conhecimento são poucos indivíduos, influenciadores de opinião, e sua gestão submete-se a interesses desvirtuados do propósito do ensino como senso comunitário. O ensino, seja ele básico ou superior, deve estar em constante processo de melhoria e não se permitir findar. Estamos continuamente procurando conhecimento e o educador precisa ser ágil para atender às demandas que a modernidade apresenta.

A crítica generalizada em relação ao modelo de formação dos professores, muitas vezes rasa, face a um mercado cada vez mais competitivo leva ao surgimento de novas alternativas, as quais visam suprir as necessidades dos acadêmicos em formação, bem como dos profissionais atuantes na Educação. A partir disso, tem-se como uma proposta emergente de ensino, o modelo Crítico-reflexivo. O modelo, que inclui um forte componente de reflexão contribui para que o futuro professor se sinta capaz de enfrentar situações adversas, tomando decisões coerentes fundamentadas num paradigma eficaz que interligue teoria e prática (KRUG, 1996). As estratégias escolhidas envolvem processos de reflexão por parte, tanto do professor, como do professor em formação (AMARAL, MOREIRA e RIBEIRO, 1996).

Uma das mais interessantes observações sobre o desenvolvimento do lado crítico foi feita pelo célebre Paulo Freire ao afirmar que, no modelo das "escolas burguesas", onde os que se julgam seus detentores do conhecimento traziam em "sua tônica fundamentalmente  em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade", segundo Freire a escola conservadora aliena os alunos do mundo, contrário, ao modelo freireano que tem o objetivo de tirá-los da zona de conforto do desconhecimento.

Nessa perspectiva, é que o papel do professor e sua prática docente exercem função fundamental para a construção de um novo projeto de ensino e de uma Formação Profissional coerente com as necessidades dos educandos, para atender à demanda desta nova sociedade as escola precisam ser questionadoras, e isso opõe-se ao modelo tradicional e monopolizador da docência rotineira; é através do diálogo que podemos perceber a educação como uma atividade reflexiva, com respeito à alteridade e o reconhecimento de nossas próprias limitações.

De outro lado temos o desafio de um profissional desmotivado, marginalizado, tratado de forma desumana pela lógica dominante capitalista, trabalhando péssimas condições, assumindo muitas vezes papéis que não lhe competem ou para os quais não está preparado na orientação dos jovens, submetido a um sistema de ensino que sabota a formação do cidadão crítico; ao contrário, atende a interesses políticos do momento e transforma o ato de ensinar, numa forma mecânica e alienante; exige-se deste profissional a busca por uma nova forma de educar, onde a formação do educando seja o principal objetivo, e o enfrentamento das questões primordiais da Educação sejam efetivamente enfrentadas; qual a finalidade do ensino? Quem é o agente da mudança do docente? De quem é a responsabilidade pela mudança? Estas perguntas pairam tal como nuvens pesadas sobre o assunto da Educação, mas ainda atendem à lógica dos interesses políticos e socioeconômicos.

CONCLUSÃO
As estruturas sociais da modernidade contribuem com o crescimento de problemas profundos que afetam a sociedade e atingem também os sistemas de ensino, trazem reflexos também para as práticas pedagógicas, e se tornam necessário aos professores refletirem sobre seus processos, também é obrigatório rever o olhar que direcionamos aos docentes e a forma como são tratados aqueles que permanentemente enfrentam situações adversas para garantir uma sociedade consciente; a questão não pode ser resumida ao tecnicismo, mas abarca os saberes e dimensões da vida humana, como os debates que desenvolvem questões maiores e mais complexas, porém a descontinuidade e a falta de parceria entre as Escolas e Universidades, sejam estas públicas ou não reflete diretamente nos alunos, há um claro desinteresse dos discentes em dar continuidade nos estudos, seja pela dificuldade de acesso, sejam pelas pressões para o ingresso rápido no mercado de trabalho, orientada e amparada a pela política vigente.    Dada a importância do aluno vir a refletir, Freire (1994) diz que a consciência reflexiva deve ser estimulada, constituindo-se uma forma de o educando refletir sobre sua própria realidade, quando compromete-se com esta, tendo a possibilidade de buscar soluções e de transformar o seu contexto.

Nessa ótica, a atuação do professor reflexivo não se encerra na prática pedagógica, mas igualmente no conhecimento de saber o que representa, enquanto membro de sua sociedade, e diante disso, é imprescindível conhecermos e entendermos a instituição na qual desenvolvemos nosso trabalho, já que buscamos uma atuação dialógica crítica da sociedade.

REFERÊNCIAS
AMARAL, M.J.; MOREIRA, M.A.; RIBEIRO, D. O papel do supervisor no desenvolvimento de professor reflexivo – estratégias de supervisão. In: Alarcão, I. (Org.) e outros. Formação reflexiva de professores: estratégias de supervisão. Porto: Porto Editora, p.89-122, 1996.
CORREA, G. Educação, Comunicação, Anarquia: procedências de uma sociedade de controle no Brasil. São Paulo: Cortez, 2006.
FERNANDES, C.M.B. ET AL. Autonomia e conhecimento: algumas aproximações possíveis entre Antônio Gramsci e Paulo Freire a partir de práticas pedagógicas emancipatórias. Caderno de Educação. V. 29. n° 2. Santa Maria: Editora da UFSM, 2004.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 45ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2007.
______. Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994.
GADOTTI, M. História das ideias pedagógicas. 8ª ed. São Paulo: Ática, 1999.
GARCÍA, C. M. Formação de Professores: para uma mudança educativa. Portugal: Porto Editora: 1999.
HURTADO, N.C. Educar para transformar, transformar para educar: comunicação e educação popular. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.
KRUG, H.N. A reflexão na prática pedagógica do professor. Santa Maria: CEFD/UFSM, 1996. Dissertação de Mestrado.
_____.; A promoção da autonomia do aluno: repercussões a nível da supervisão reflexiva. In: KRUG, H.N. (Org.). Formação de Professores Reflexivos: ensaios e experiências. Santa Maria: O autor, p. 51-58, 2001.
MORIN, E. Determinismos culturais e efervescências culturais. In: O método IV. Porto Alegre: Sulina, 1998.
NÓVOA, A. Formação de professores e profissão docente. In: Nóvoa, A. (Coord.). Os professores e sua formação. Lisboa: Publicações Dom Quixote, p. 15-34, 1992.
SANTOS, B.S. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. 4e. São Paulo: Cortez, 2002.
VEIGA NETO, A. Foulcault & a Educação. 2e. Belo Horizonte: Autêntica, 2005


domingo, 25 de maio de 2014

ANÁLISE CRÍTICA AO LIVRO "THE BLACK SWAN"


Como todo mudo está comentando desde ontem, sábado 24/05, até que demorou, mas agora veio o ataque mais forte ao livro do Piketty na área onde realmente a jiripoca pia, ou seja, nos dados (puxando a brasa para os pobres empiristas de história econômica).
Quatro problemas principais apontados pelo editor e colunista do Financial Times, Chris Giles: erros na passagem dos dados das planilhas e de fontes; metodologia questionável na escolha de pesos, ajustes com números inexplicados e cherry-picking.
Genericamente falando, o primeiro tipo de problema desgasta, mas é inevitável e terrivelmente comum para quem trabalha pesado com dados como Piketty faz. A menos que sejam desastrosos (como o de Rogoff e Reinhart), ou não sejam aleatórios (isto é, sejam deliberadamente produzidos para reforçar o argumento; ver abaixo), os erros desse tipo não costumam ser o fim do mundo.
O segundo tipo de problema, a escolha de pesos, é mais ambíguo, até para definir se é problema mesmo, pois se refere a opções por procedimentos que podem ser divergentes mas perfeitamente defensáveis, daí não sendo um necessariamente melhor do que o outro em todas as situações. A disputa nesses casos gira em torno do que é mais plausível e menos arbitrário.
O terceiro problema, quanto aos ajustes de dados incompletos, é em parte parecido com o anterior: depende de hipóteses e escolhas do pesquisador que estão sujeitas a opiniões distintas e divergências. Mas com dados incompletos ou inexistentes exige-se bem mais prudência e critério. É mais simples quando é o caso de usar interpolação ou extrapolação em séries de tempo (em poucos anos), mas complica quando o que está em jogo são valores relativos a unidades como estados, países, setores econômicos ou estratos sociais. Nessas situações, pode-se utilizar aproximações baseadas em unidades similares de outros períodos, regiões ou setores. O critério deve (ou deveria) ser alguma extrapolação plausível e bem justificada em termos históricos e econômicos, não um número extraído da imaginação. E o procedimento deve ser claro e explicado. Infelizmente, contudo, muitas vezes esses requisitos básicos não são seguidos.
Já o quarto tipo de problema é devastador. Viesar as escolhas de procedimentos, hipóteses e dados em seu favor, e em detrimento de outros que minam seu argumento geral, é o supremo pecado do historiador econômico. Não ameniza o problema o fato de que esse viés seja muito comum em todas as disciplinas ou que vários autores o considerem muito natural.
No caso do Piketty, minhas impressões ao ler a crítica do FT: o problema 1 parece ter ocorrido de fato no livro, mas não aparenta ser grave; o problema 2 não necessariamente é problema (Piketty pondera por país, não por população), embora a crítica de Giles seja correta e muito comum em relação ao tipo de procedimento que Piketty adota para obter os resultados agregados; o problema 3 parece mais sério, pois há de fato números inexplicados que são usados para estimativas em partes importantes dos argumentos de Piketty; quanto ao problema 4, não tive elementos, ou melhor, ainda resisto em imaginar que Piketty tenha distorcido os dados em seu favor (acho que estou viesado em favor dele).
Tudo, porém, depende das explicações que imagino que serão dadas por Piketty em breve. Por exemplo, sobre os 36 pontos percentuais que são adicionados à participação dos 1% mais ricos para obter-se o percentual dos 10% com maior riqueza nos Estados Unidos entre 1910 e 1950. É provável que o percentual tenha sido deduzido de algum critério razoável, embora não seja explicado no livro.
A primeira reação de Piketty depois de publicada a matéria no sábado não foi propriamente uma resposta, pois resumiu-se a dizer que a crítica do FT é “ridícula” pois todos reconhecem que as grandes fortunas cresceram mais rapidamente ou que foi “desonesta” por sugerir que as mudanças indicadas alteram as conclusões do livro ( ver em http://www.theguardian.com/business/2014/may/26/thomas-piketty-financial-times-dishonest-criticism-economics-book-inequality).
Podem ser até bons como figuras de retórica, mas os termos e as frases não fazem sentido para quem está interessado nos dados e na realidade que ele se propôs a descrever no livro.