domingo, 9 de agosto de 2015

A REFORMA RELIGIOSA E AS IGREJAS


Elas surgiram a partir do inconformismo do padre alemão Martinho Lutero (1483-1546) em aceitar algumas práticas da Igreja Católica. Lutero atacava duramente a venda de indulgências, ou seja, a obtenção de perdão para um determinado pecado em troca de dinheiro. No dia 31 de outubro de 1517, Lutero pregou na porta de uma igreja de Wittenberg, na Alemanha, um manifesto com 95 teses em que atacava não só a venda de indulgências, como também outros procedimentos da Igreja Católica, como a negociação de cargos eclesiásticos. O papa Leão X exigiu uma retratação do padre, ameaçando condená-lo por heresia. Mas Lutero não voltou atrás e rompeu com a Igreja Católica, dando início à chamada Reforma Protestante, movimento que se espalhou pela Europa, impulsionado pela maior flexibilidade religiosa que oferecia.
Os inimigos dos reformistas passaram a se referir a seus seguidores como "luteranos". Estes, por sua vez, preferiam ser chamados de "evangélicos", termo hoje muito usado para se referir aos fiéis das igrejas protestantes. A liberdade pregada por Lutero acabaria abrindo espaço para o surgimento de várias correntes religiosas. "O protestantismo tem uma pedra fundamental: a autonomia. A idéia de que só Deus salva, a subjetividade do indivíduo e a possibilidade de assumir e viver as diferenças vai gerar uma variedade enorme de igrejas", diz o cientista da religião João Décio Passos, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Isso ajuda a entender por que hoje existem tantas ramificações entre os protestantes.
Crença na autonomia
Liberdade pregada por Lutero deu origem a várias correntes religiosas

Luteranos
A ruptura de Luterano com os católicos, em 1517, lançou as bases para a expansão do protestantismo. Os luteranos condenavam o comportamento moral dos padres católicos e acreditavam que a salvação estava nas escrituras sagradas.
Presbiterianos
Inspirados no teólogo fracês João Calvino (1509-1564), pregavam a predestinação divina: ou seja, só os eleitos por Deus se salvariam. O teólogo holandês James Arminius (1560-1609) criaria depois outra vertente do presbiterianismo: o Arminianismo
Anglicanos
O rei inglês Henrique VIII (1491-1547) queria anular seu primeiro casamento para se unir a outra mulher. Após a recusa do papa Clemente VII, ele rompeu com a Igreja Católica e criou a anglicana em 1534, ficando livre da interferência papal
Batistas
O movimento anabatista já existia quando Lutero começou a questionar a Igreja Católica. Mas, como outras correntes protestantes, o movimento só ganhou expressão após a Reforma. Acabou dando origem à Igraja Batista
Metodistas
Surgiram na Inglaterra no século 18, propondo reformar a Igreja Anglicana. Baseadas na crença da salvação pela fé em Cristo, as idéias metodistas não conseguiram mudar os anglicanos, mas deram origem a uma nova corrente protestante
Pentecostais
Começaram a aparecer no início do século 20 como uma dissidência dos metodistas. Em 1910, foi fundada a Congregação Cristã do Brasil; no ano seguinte, a Assembléia de Deus, e em 1962, Deus é Amor. Os pentecostais crêem na cura pela fé
Neopentecostais
Fazendo parte do grupo a Igreja Universal do Reino de Deus, de 1977, e a Igreja Renascer em Cristo, de 1986. Os neopentecostais têm em comum a adoçãoda mídia para pregar aos fiéis, além dos cultos espetaculares e a realização de exorcismos


domingo, 2 de agosto de 2015

GESTÃO ESCOLAR, DIVERSIDADE E PLURALIDADE CULTURAL NO CONTEXTO ESCOLAR

RESUMO: O presente trabalho incidiu sobre a temática Diversidade e Pluralidade Cultural no Contexto Escolar. Através desta pesquisa, analisou-se e compreendeu-se como trabalhar e encarar o fenômeno da Diversidade Cultural presente na escola. Através de várias referências bibliográficas foram apresentadas reflexões sobre este tema. A educação tem que incluir em seu currículo formas de combater o preconceito e de valorizar a nossa cultura, formando pessoas que se orgulhem de pertencer a um país tão diversificado.
PALAVRAS-CHAVE:Diversidade; Pluralidade cultural; Escola; Educação.
1 Introdução
As pessoas são muito diferentes em sua totalidade, como, por exemplo, formas físicas, crenças religiosas, opiniões e valores. Temos diversidade no mundo que nos rodeia e gostamos de ser aceitos e respeitados pelo que somos. Buscar ultrapassar as barreiras do preconceito é um grande desafio não somente para a educação, mas também para a humanidade.
A pluralidade cultural oferece oportunidades aos alunos de conhecerem suas origens e tornarem-se seres sociais, propiciando compreender o seu valor e de todos que os rodeiam. Através da mesma passam a lidar com as diferenças de forma consciente respeitando todos que não são aceitos pela sociedade.
Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.
§ 1º O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos          povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o          negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à      história do Brasil.
§ 2º Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. (BRASIL, 1996.).
A reflexão em torno da cultura como construção sócio-histórica tem feito parte dos principais debates da educação. O tema ganha notoriedade, também nos diversos espaços sociais. Percebe-se que um discurso de tolerância é confrontado com outro que desrespeita a afirmação dos direitos civis, sociais, políticos e identitários de reconhecimento e de respeito ao direito à diferença.
A abordagem deste tema na escola se realiza a partir do encontro de nossos valores sociais, econômicos, culturais e do outro, o diferente. Por fazer parte de uma construção sócio-histórica imersa na cultura tratando-se especificamente da diversidade étnico-racial, torna-se cada vez mais necessária a revisão de determinados padrões éticos, estéticos e formativos.
Na história da humanidade, não poucos foram os esforços intelectuais, teóricos e científicos dedicados a evidenciar a função social da educação. Da prática social formal, não formal e informal, a formação do homem para a vida, bem como a incorporação nas cadeias produtivas de produção a partir da estruturação do conhecimento por meio de currículos. Fato é que a educação está relacionada com a ação social e cultural de nos tornarmos humanos bem como sujeitos sociais.
Como bem afirma Brandão (2002, p.141),
Somos seres humanos, o que aprendemos na e da cultura de quem somos e de quem participamos. Algo que cerca e enreda e vai da língua que falamos ao amor que praticamos, e da comida que comemos à filosofia de vida com que atribuímos sentidos ao mundo, à fala, ao amor, à comida, ao saber, à educação e a nós próprios.
As pessoas não nascem prontas para viver e acabadas. Muito ao contrário, necessitamos de ensinamentos, orientações e cuidados. Aprendemos quando convivemos com outras pessoas inseridas em diferentes culturas, assim formamos nosso modo de viver, nossa personalidade, sentimentos e desejos. O ser humano é um ser social organizando seu modo de viver coletivamente, porém somos diferentes fisicamente, temos diferentes valores e diferentes formas de organização na sociedade.
O grande desafio da escola é investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada pela diversidade etnocultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade. Nesse sentido, a escola deve ser local de diálogo, de aprender a conviver, vivenciando a própria cultura e respeitando as diferenças formas de expressão cultural. (BRASIL,1997, p. 32).
A escola é, e sempre será, um espaço sociocultural em que é possível o encontro da diversidade. Neste sentido é de grande importância o contexto escolar, desafiando a escola a rever visões e modelos, criando espaços de inclusão, respeitando e valorizando a diversidade cultural dos alunos. O maior desafio dos professores é encontrar táticas diversificadas de ensino que ultrapassem programas e conteúdos tradicionais, criando mecanismos que atendem a diversidade cultural.
 Segundo Soares (2003, p.165),
O grande desafio que se coloca é a necessidade de entender  a relação entre cultura e educação. De um lado está a educação e do outro a ideia de cultura como lugar ou fonte, de que se nutre o processo educacional, onde se forma pessoas e consciência.
Então, faz-se necessária uma educação escolar integradora, direcionada para a diversidade, que respeite a pluralidade cultural, ética e religiosa existente na escola, para valorizar e entender a realidade múltipla de todos os discentes, no sentido de promover a convivência, a paz e a justiça social.
Em nossas escolas, precisamos começar com uma reforma educativa que defenda uma educação integradora para todos, independentemente das suas diferenças. Para que isto aconteça temos que nos preocupar em traçar uma proposta pedagógica que atenda a todos.
A existência da diversidade não está livre de conflitos, tensões e resistências, pois as instituições de ensino sempre encontraram problemas para lidar com a pluralidade e a diferença, levando para a padronização e homogeneização. No contexto social, a diversidade não constitui um fenômeno novo, todos somos diferentes e, portanto, falar de diversidade é pensar no coletivo, e no meio desse encontramos muitas diferenças singulares.
A escola como uma instituiçãoresponsável pelo desenvolvimento cultural e social carece de modelos e projetos que lhe ajude a conhecer e apreciar a diversidade cultural numa lógica de integração, coexistência e respeito por todos os alunos.
A escolha deste tema surgiu da preocupação com as diversas manifestações de intolerância e de discriminação existentes no espaço escolar e, logo, o aparecimento de alguns conflitos. A escola deve acolher as diversas culturas sem interferir nas suas especificidades próprias, ensinando a viver a diferença, sendo de teor cultural, social ou econômico.
O presente estudo foi realizado por meio de revisão bibliográfica.
2 Desenvolvimento
2.1 Desafios da diversidade cultural no contexto escolar
A escola precisa compreender a diversidade de sua população, pois é nela que se concentra uma grande diversidade humana, tendo o encargo de formar pessoas críticas, conscientes e atuantes. Ela precisa compreender,distinguir e dar significados para oportunizar e produzir saberes nas diferentes etapas de aprendizagem do conteúdo culturalmente e socialmente construído pela sociedade.
A escola, para cumprir melhor sua missão, que é de proporcionar aprendizagens, precisa considerar o espaço em que vivemos, e a nossa maneira de construir significados.
A escola é um espaço em que a diversidade cultural facilmente existe e acontece. Ela deve ser um fator determinante na construção de propostas educativas, onde a mesma por sua vez não deve entendê-la como algo negativo, mas sim, mostrando as diferenças, valorizando-as e acima de tudo fazer da escola um lugar para uma educação mais feliz para todos, onde valores e culturas estejam presentes respeitando-se e entendo-se.
Na perspectiva de Marin (2003, p.23), “[...] a educação possibilita a preservação da diversidade cultural, cria um espaço democrático, dando lugar ao encontro e convivência entre as diferentes culturas.”.
Portanto, a escola deve ser um espaço de inclusão, onde a gestão, professores, alunos e funcionários estabeleçam um comprometimento com o social, com princípios transversais aos conteúdos de cada disciplina. Princípios esses que devem ser o respeito e o reconhecimento pelas culturas, encontrando uma harmonia entre alunos de diferentes origens efetivando uma pedagogia de valorização dessas diferenças.
É fundamental compreender a missão da escola, pois esta instituição, entre as demais normas que formam a sociedade, afigura-se a mais privilegiada, pois a ela é confiada o cuidado de formar cidadãos.
Para que a escola cumpra com seu papel social que lhe é incumbida, cabe a ela ter uma função responsável, que garanta a sua supervivência e o seu funcionamento regular, onde deve ter uma gestão que inclui a planificação, a concepção, a iniciativa, o controle de atividades e dos resultados na base de soluções disponibilizados.
Em síntese, a escola é uma instituição por nobreza onde a metodologia de desenvolvimento absoluto do indivíduo acontece de modo formal. A ela também é confiada essa responsabilidade, que é de formar pessoasadequadas de conviver com a desigualdade humana e cultural dos outros. Mas, para isso, a instituição escolar deverá rever as suas funções e estar à altura de responder as demandas do mundo global e moderno.
Estamos perante uma sociedade heterogênea, que é diferenciada essencialmente por uma diversidade cultural cada vez mais aberta. Numa época complexa, plural, diversa e desigual, onde sofremos com constantes transformações.
Diante disto a escola necessitará dispor aos alunos a importância da multiplicidade e diversidade de culturas, com base em valores, idealizando as diferenças culturais não como sinônimo de desigualdade, mas sim aceitando as diferenças e procurando enriquecê-las. Com isso, é necessário que a escola assuma as culturas, reconhecendo-as, valorizando-as e sobretudo olhar a diversidade como um trunfo para a constituição de uma sociedade mais justa.
O tema da diversidade vem gerando um interesse notável na sociedade atual, e várias explicações e concepções surgiram sobre esta tema, com a ideia de entender este fenômeno que tem uma repercussão mundial.
Uma das abordagens é que a diversidade cultural é intrinsecamente positiva, quando se refere ao intercâmbio de culturas do mundo e também aos vínculos que nos unem nos processos de diálogo e de troca. Por outro lado, as diferenças culturais fazem-nos esquecer de que somos todos seres humanos constituindo assim inúmeros conflitos.
Diante disso, o desafio fundamental deixa claro que a diversidade cultural está longe de ser uma ameaça, ela pode ser benéfica nos mais variados domínios da intervenção e oferece sólidos argumentos na construção de estratégias para o desenvolvimento sustentável, na garantia do exercício da liberdade e dos direitos humanos e no fortalecimento da coesão social.
Em resumo, vive-se em uma sociedade cada vez mais globalizada e plural, surgindo assim à necessidade de dar mais atenção à diversidade cultural e ao diálogo entre as diversas culturas. Por isso, é fundamental integrar a diversidade cultural, nas políticas públicas, e isso poderá contribuir para alcançar a prevenção dos conflitos, a paz e o desenvolvimento que são os objetivos chave de uma sociedade.
Viver em uma sociedade em constantes mudanças, a escola é desafiada e pressionada a acompanhar as modificações que ocorrem na sociedade, e, sobretudo, proporcionar uma educação que ultrapasse as fronteiras de espaço e tempo, facultando a cada indivíduo a competência necessária para saber aceitar, respeitar, dialogar e conviver com a diferença, ou seja, o outro.
A escola é um espaço de diversidade cultural, onde a democratização do ensino veio abrir a mesma a alunos de diversas origens não só ético-religiosa mas também socioeconômica e cultural. Neste contexto, surge a tomada de consciência de todos os agentes educativos, para a necessidade de refletir sobre a diversidade no contexto escolar, e tentar dar respostas satisfatórias aos múltiplos desafios.
Acolhendo a diversidade cultural como um fenômeno que caracteriza a sociedade atual, Pereira (2007, p.105) afirma que os sistemas educativos deverão “[...] adaptar novas políticas e refleti-las na construção e implementação de um currículo formal vocacionada para a promoção do pluralismo e da igualdade de oportunidades em níveis cada vez mais elevados.”.
Pereira (2007, p.107) afirma que,
A escola se torna um espaço de encontro entre iguais, possibilitando a convivência com  a diferença, de  uma forma qualitativamente distinta da família , principalmente, do trabalho.Possibilita lidar com a subjetividade, havendo a oportunidade para os alunos falarem de si, trocarem ideias, sentimentos. Potencialmente, permite a aprendizagem de viver em grupo, lidar com a diferença, com o conflito. De uma forma mais restrita ou mais ampla, permite o acesso aos diversos códigos culturais necessários.
Deste modo, entender a diversidade é dialogar com os outros, nos diversos espaços em que nos humanizamos, a família, a sociedade, a escola etc.. Portanto, pensar sobre a escola e a diversidade significa reconhecer, aceitar, respeitar e atender e diversidade dos alunos, e evitar que as diferenças se convertem em desigualdades.
Neste sentido, Sousa (2002, p.4) salienta que,
A escola não pode, por isso, silenciar as vozes que lhe pareçam dissonantes do discurso culturalmente padronizado, uma vez que não opera no vazio. Não vale a pena pretender unificá-lo de maneira abstrata e informal, quando ela se realiza num mundo diverso.
Diante disso, constata-se que a escola tem uma função importante na formação dos seus alunos, e sobretudo acolher a diferença dos mesmos, com os quais se encontra. Uma escola aberta à diversidade deve dar respostas reais aos educandos que a compõem, rompendo com modelos rígidos e fechados dirigidos somente a alguns, ainda deve, sobretudo, adaptar-se à criança, visto que a mesma deve ter uma atitude aberta a mudanças, e tem que inovar face às mudanças ocorridas, baseadas numa concepção crítica, como forma de achar novas formas de melhorar a qualidade do ensino, buscando soluções mais adequadas a situações recentes.
As tentativas pedagógicas recentes pretendem encontrar competências transversais através dos saberes, articulando-as com as diferentes maneiras de aprendizagem dos alunos, no sentido de desenvolver pedagogias plurais e diferenciadas. Deste modo, a questão pedagógica central é a tomada em consideração da diferenciação, o que significa que o projeto base é fazer da heterogeneidade um valor a respeitar, promovendo os elementos que unem os alunos.
Apesar de a escola abrir as porta para todos, muitas vezes vemos que a ideia de inclusão é muito mais ampla do simplesmente trazer o indivíduo para a escola comum, implica dar uma outra lógica à escola, de forma que todos encontrem o seu espaço e sentir-se como integrante da vida escolar.
Daí então a diversidade é o foco central da mudança, isto é, essa diversidade que fez a escola rever o modo como vê e percebe o ser humano, para além de meras características físicas, mentais ou intelectuais. Estas e tantas outras questões leva a crer que ainda falta algum entendimento acerca da diversidade, na relação conflituosa entre homogeneidade e heterogeneidade, e também sobre as questões que envolva a inclusão, não só da pessoa com deficiência, mas de todos os que têm seus direitos negados.
Deste modo, à não-adequação às normas supostamente homogêneas, o melhor caminho tem sido a exclusão. Percebe-se que a escola, ao impor uma única norma para todos os alunos, esquece que ela própria é formada por uma representação fidedigna da sociedade, ou seja, assim como a sociedade, a escola é composta pela diversidade humana, onde esta antes de tudo é benéfica pelo fato de proporcionar a diferenciação das ações.
Salienta-se que o aluno independentemente da classe social, etnia, preferência sexual, cultura, religião, e capacidade intelectual necessita ter a possibilidade de ver-se como parte da escola, como um sujeito do processo educacional. A escola por sua vez precisa rever sua postura, seus entendimentos acerca do mundo, do aluno, da sociedade, do ser humano, de diversidade, de inclusão e de tantos outros, para assim entender que excluir só reforça a ideia de que não se tem competências para aceitar a diferença.
Percebe-se então que medidas simples podem ser tomadas. A escola deverá direcionar-se para um ensino que, além de reforçar a integração solidária, e os procedimentos cooperativos, auxilie o aluno a se ver, e a se perceber como parte do sistema escolar, independente de suas particularidades. Contribuir para que realmente o processo educacional cumpra aquilo que se pressupõe, que é formar alunos críticos, solidários e cidadãos conscientes, só acontece quando o aluno perceber-se como parte do processo, ou seja, incluído e respeitado em sua individualidade.
Na perspectiva de Mittler (2003, p.236), o significado da inclusão ultrapassa,
A colocação da criança individual nas escolas, mas é criar um ambiente onde todos possam desfrutar o acesso e o sucesso no currículo e tornarem-se membros totais da comunidade escolar e local, sendo desse modo valorizados.
A inclusão envolve uma mudança de cultura e de organização da escola, para que se possa assegurar o acesso ao conhecimento de todos os educandos que frequentam a escola.
Em resumo, impõe-se que a organização escolar assuma o compromisso de pluralismo, que promova a integração de todos os alunos no sistema, em vez de um tratamento específico a certos alunos, pois se acredita que toda forma de segregação acentua-se nas desigualdades entre os alunos, não promovendo a diversidade, e nem contribuindo para a construção para o processo identitário.
A diversidade cultural na sala de aula ganha maior visibilidade, visto como um lugar de encontros, onde cada vez mais se depara com alunos com culturas e características heterogêneas. Esta heterogeneidade deve ser repensada, o que exige que cada sala de aula se valorize o pluralismo, em detrimento de uma visão etnocêntrica do mundo, unicamente centrada nas culturas dominantes.
Nesta perspectiva, Perestrelo (2001, p.37) salienta que,
Na sala de aula se encontra uma múltipla diversidade de culturas com diferentes saberes, sistemas de valores, crenças e de interpretações do mundo, hábitos, modos de agir, expectativas, necessidades e projetos de vida.
Neste sentido, a tarefa da escola é conseguir reconhecer as diferenças, não só as culturais, mas também os diferentes ritmos e estilos de aprendizagem, de interesses e capacidades. É um desafio que compete a todos, adotar no sentido de cada vez mais caminhar-se para uma sociedade em que seja formada por indivíduos responsáveis, críticos, atuantes e solidários, conscientes de seus direitos e deveres.
O reconhecimento desta diversidade da sala de aula é de uma fonte de riqueza inesgotável, é uma realidade onde os professores e demais agentes educativos confrontam-se diariamente, exigindo uma postura reflexiva sobre o processo de ensino e de aprendizagem. Os educadores têm um grande papel a desempenhar, cabe-lhesajustar os conteúdos às necessidades dos alunos, ou seja, deve fazer uma práticapedagógica diferente, promovendo atividades que vão além de explicar, perguntar e avaliar, é preciso definir atividades que ajudem na interação entre os alunos.
Outro aspecto importante é a diversificação do método de avaliação, o que se pressupõe que o professor deva considerar que não existe uma única forma para avaliar a aprendizagem, e que nem todos os alunos têm que ser avaliados do mesmo modo e com os mesmos instrumentos.
Finalmente para fazer a gestão da diversidade, todos os professores deverão utilizar métodos baseados no reconhecimento que estudantes têm capacidades ou habilidades de aprendizagem diferentes. É fundamental, por isso, que se determinem os objetivos da aprendizagem, dos conceitos que se pretende efetivamente que os alunos adquiram.
A educação multicultural abriu o caminho para o campo educativo, onde hoje podemos nos inquietar pelo desejo de compreender e buscar novas possibilidades pedagógicas, permitindo assim que se atue em uma perspectiva de respeito com a nossa rica diversidade cultural.
Segundo Gonçalves e Silva (1998, p.52),
O multiculturalismo emerge em território como movimento social em defesa das lutas dos grupos culturais negros e outras minorias, mas também, como abordagem curricular contrária a toda forma de preconceito e discriminação no espaço escolar.
Este movimento surgiu inicialmente desvinculado do sistema educativo, aliado aos movimentos sociais. O multiculturalismo aparece como um movimento de reivindicação dos grupos culturais para serem reconhecidos como representantes da cultura nacional.
Ao longo das últimas décadas, esse movimento social engajou-se na defesa da diversidade cultural, e vem ganhando espaço nas discussões e debates, nas mais diversas perspectivas e vertentes           
Segundo Freitas (2012 p.83), “[...] a educação é multicultural porque abriga em seus espaços múltiplas culturas, e pode ser intercultural se houver diálogo, troca e aprendizado entre elas.”.
A escola é o espaço onde se dá a socialização e a diversidade cultural é encontrada. Portanto é necessário que haja um convívio multicultural que implica respeito ao outro, um diálogo com os valores do outro.
Ferreira (2003, p.120) acrescenta ainda que:
Um importante objetivo da educação multicultural é a de ajudar osalunos a desenvolverem o espírito crítico e a adquirirem os conhecimentos, as atitudes, as capacidades e o empenhamento necessários para participarem numa atividade democrática, que contribua para que os ideais de democracia se tornem realidades.
A educação multicultural procura realizar os princípios democráticos da justiça social através de pedagogias críticas, adaptando-se conhecimentos, desenvolvendo-se a reflexão-ação que permita aos futuros cidadãos, participar nas transformações sociais no sentido de se atingir níveis cada vez mais elevados de igualdade de oportunidades. Rejeita e combate todas as formas de discriminação na escola e na sociedade. Aceita e defende o pluralismo representado pelos alunos e pelas suas famílias. Esta educação deve ser vista como um processo de mudança, que obriga a escola a se organizar administrativa e pedagogicamente, estruturando-se de modo a acolher da melhor forma possível a diversidade dos alunos, implicando reajustes do currículo, de modo a proporcionar a todos os alunos igualdade de circunstâncias educativas.
Seja qual for a forma ou a concepção adotada pelos diversos atores, entende-se que a educação multicultural é uma questão fundamental no campo educativo, dado que nas escolas prevalece uma grande heterogeneidade cultural e ética, devendo valorizar-se a diversas culturas e o respeito pela diferença.
Ferreira (2003, p.96) refere-se ao interculturalismo como,
A interação entre culturas de uma forma recíproca, favorecendo ao seu convívio e integração assente numa relação baseada no respeito pela diversidade e no enriquecimento          mútuo. A expressão também define um movimento que tem como ponto de partida o respeito pelas outras culturas, superando as falhas de relativismo cultural, ao defender o encontro, em pé de igualdade, entre todas elas.
Entende-se que este contato entre indivíduos é fundamental, pois somos portadores de fragmentos culturais. O termo intercultural deverá remeter-nos para o diálogo e interação entre as culturas. Esse diálogo é um meio de possibilitar o enriquecimento mútuo. Entretanto, o interculturalismo propõe que se aprenda a conviver num mundo pluralista e  respeite-se  e defenda-se a humanidade no seu conjunto.
A educação intercultural é uma educação para a alteridade, isto é, para entrar em contato com que é simultaneamente diferente e semelhante, onde o processo educativo precisa basear-se, sobretudo, em uma pedagogia que promove a interação, a compreensão, o reconhecimento do outro e da sua diversidade, a tolerância, a igualdade de oportunidades educativas e sociais para todos.
Ferreira (2005, p.55), afirma que,
Esta pedagogia possibilita não só a determinação de suas próprias representações dos modelos do      seu sistema de valores, mas também a identificação das representações e dos sistemas de valores e de normas dos outros indivíduos e            grupos, constituindo assim um meio de conhecimento e de aprendizagem do outro e de compreensão intercultural.
É nesta linha de análise que se entende a educação intercultural, como toda a formação que leva em conta a diferenças culturais dos alunos. Neste sentido o processo de interação entre as diversas culturas no contexto escolar. A co-aprendizagem é importante, dado que tanto o saber como as relações sociais estão em permanente construção, cabendo à escola fomentar o diálogo, eliminando o confronto. É necessário conviver com o outro, respeitar o outro, valorizá-lo e aprender com ele.
Peres (2000, p.70) aponta que a nova competência intercultural compreende quatro dimensões,
Saber – conhecimento sociocultural da(s) comunidade(s); conhecimento, consciência e entendimento das diferenças entre nosso mundo e o deles.
Saber fazer – competências e atitudes interculturais, que inclui a capacidade de estabelecer relações entre a nossa cultura e a outra cultura, também a capacidadepara reconhecer e utilizar várias estratégias para estabelecer contato com os outros, e a capacidade para desempenhar o papel de intermediário cultural entre a nossa e a cultura do outro, e para controlar situações de desentendimento e conflitos culturais entre eles.
Saber ser – qualidades afetivas como atitudes positivas em relação ao outro, interesse nas ideias, nos valores culturais, nas experiências dos outros, a relativização do ponto de vista e do sistema cultural.
Saber aprender – a capacidade para reagir positivamente à aprendizagem de uma outra cultura, a adaptação as novas experiências (povos, linguagens, modos de fazer coisas). É nesta dimensão que se desenvolve a competência intercultural.
Com base nestas competências, a educação intercultural deve acentuar, porque se acredita que para agir de uma forma verdadeiramente humana, é necessário irmos ao encontro do outro e viver a sua cultura, descobrindo que é possível superar as diferenças, e poder transformar a realidade. Para o âmbito escolar é preciso que todos os agentes educativos criem dispositivos pedagógicos que permitam uma convivência entre eles, aprendendo-se a negociar de uma forma pacífica os conflitos, promovendo-se uma aprendizagem cooperativa. A escola precisa e deve ser um lugar de encontro e de convivência entre as culturas.
O papel do educador na perspectiva da diversidade cultural é um indivíduo que ensina, mas tem que perceber que não é só depositar os seus conhecimentos, para que seu papel seja bem desempenhado. Em contextos escolares multiculturais, a capacidade técnica bem como o domínio dos conteúdos e da metodologia por parte dos educadores são insuficientes. Para assegurar-se uma educação efetiva dos estudantes de culturas diferentes, os professores terão de ser capazes de modificar estratégias de ensino que possam respeitar e desafiar os alunos dos diversos grupos culturais.
Entretanto, uma educação sem fronteiras e que trabalhe no sentido de entender as diferenças, requer preparo por parte do educador, uma vez que, para lidar com a diversidade, necessita-se compreender como ela se manifesta e em que contexto. O professor que acolhe seus alunos é um sujeito reflexivo, que percebe e respeita as diferenças, constrói um ambiente de igualdade, propicia uma segurança aos seus alunos, e isso refletirá em melhor e maior aprendizado.
Os professores terão de estar conscientes de que a escola reflete a sociedade e a comunidade envolvente. E, de certa forma, são influenciadas pelo poder de uns em relação a outros que se verifica na comunidade envolvente. O professor tem de analisar a realidade dos alunos para perceber como isso pode influenciar nas dinâmicas de sala de aula, para poder intervir e abolir as práticas de exclusão e de discriminação. O professor deve compreender e entender o aluno, e tudo o que traz para a sala de aula, deve estar consciente de suas opiniões, perspectivas, concepções e sentimentos, enquanto cidadão e professor numa sociedade multicultural.
Segundo Cardoso (2001, p.49),
Os profissionais da educação devem ser profissionais da cultura, e não de um padrão único de aluno, de currículo, de conteúdo, de práticas pedagógicas e de atividades escolares. Somos diferentes em raça/etnia, nacionalidade, sexo, idade, gênero, crenças, classe. Tudo isso está presente na relação professor/aluno.
A criança, quando ingressa na escola, já possui conhecimentos, conceitos, informações, experiências vividas e até preconceitos derivados de agentes socializadores, tais como a família, vizinhos e meios de comunicação. É em uma visão multicultural que o professor deve pautar a sua forma de estar na sala de aula, tornando-a um lugar de aprendizagem não só de conteúdos, também onde pode ensinar algo aos outros e acima de tudo aprender com eles. A escola e os docentes tem o dever de valorizar, aceitar e aproveitar os saberes, valores, interesses e capacidades que os alunos apresentam, pois eles não entram para a escola como uma tábula rasa, uma mente vazia.
O ato de educar é um processo que deve sofrer mudanças contínuas sendo repensado e reinventado a cada instante. A sociedade atual encontra-se em constantes transformações, exigindo dos educadores, e também daqueles que legislam em favor da diversidade cultural, o repensar das práticas educativas.
Sobre este processo, Didonet (an  apud CAMPOS (2005, p.86), no poema “Para você me educar” diz:
Você precisa me conhecer. Precisa saber da minha vida, meu modo de viver e sobreviver. Conhecer a fundo as coisas nas quais eu creio e às quais me agarro nos momentos de solidão, desespero, sofrimento. Precisa saber e entender as verdades, pessoas e fatos aos quais atribuo forças superiores às minhas e às quais me entrego quando preciso ir além de mim mesmo.
Para você me educar, precisa me encontrar lá onde eu existo, quer dizer, no coração das coisas, nos mitos e nas lendas, nas cores e movimentos, nas formas originais e fantásticas, na terra, nas estrelas, nas forças dos astros, do sol e da chuva.
Para você me educar, precisa estar comigo onde estou, mesmo que você venha de longe e que esteja muito adiante. Só há uma forma de construí-lo: a partir de mim mesmo e do meio em que vivo. [...]
O contexto escolar deve ser pensado como um espaço de livre expressão e da possibilidade de escolhas conscientesacerca dos caminhos e dos ideias que pretendemos seguir. O processo educativo deve oferecer instrumentos e alternativas para que os indivíduos tomem consciência sobre si, sobre o outro e sobre a sociedade na qual vivem, caracterizando-se um encontro de diálogo, transformação do mundo e humanização de todos.
3 Conclusão
Através deste trabalho analisou-se e compreendeu-se como trabalhar e encarar o fenômeno da Diversidade Cultural presente na escola, pois é nela que encontramos uma diversidade humana (alunos, professores, órgãos administrativos, funcionários, comunidade escolar e demais pessoas) cada um com seus hábitos, culturas e crenças diferentes.
Em vários momentos, utilizaram-se citações de diferentes autores com o objetivo de chamar atenção para o tema proposto e a sua relação com a educação.
Durante este estudo, percebeu-se que nossa identidade é produto de uma série de situações e experiências acumuladas ao longo de nossas vidas, que nos diferenciam dos outros com os quais convivemos.
Essas diferenças são resultados da cultura que incorporamos e na qual nos identificamos como sujeitos–atores sociais. Nossa cultura se expressa não somente pela linguagem que falamos, pelas roupas que vestimos ou pela comida que comemos, mas também pelas ideias e pelos símbolos que construímos.
Pode-se afirmar que a diversidade cultural no contexto escolar está a crescer, e cada vez mais transforma as nossas instituições escolares em espaço de diversidade. Surge assim a responsabilidade da escola em assegurar a igualdade de oportunidades de aprendizagem para todos. A escola pode ser este lugar. Deve sê-lo.
Percebemo-nos como indivíduos e como grupos quando formos capazes de identificar as diferenças que existem entre nós e os outros. Quando isso acontece e apreendemos as diferenças de forma respeitosa, também descobrimos que a humanidade é composta por um conjunto de diferenças, culturas, religiões, saberes, crenças, valores etc. Não é possível fazer educação sem esse entendimento.
Por fim, resta reforçar a ideia de que a educação é uma ciência, mas também é a arte de criar, conviver e compartilhar. E, nesse contexto, o educador é o cientista que se debruça na pesquisa, na busca pelo conhecimento, sem esquecer que, para além da ciência, outros saberes são construídos fora da escola. A educação sempre se fará presente onde seres humanos, reunidos e em constante comunicação, convivem, aprendem a ser, a viver juntos, a fazer, a transformar e a conservar a natureza por meio da sua cultura.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A Educação como cultura. Campinas: Mercado de Letras, 2002.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial d União: Brasília-DF, 23 dez.1996. Disponível em: <http://www.sineperj.org.br/admIN/upload/legislacao_has_arquivo/LDBatualizadaemmaio2014.pdf>.  Acesso em julho de 2015.
BRASIL. Ministério da educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: apresentação dos temas transversais, ética/ Secretaria de Educação Fundamental, - Brasília: MEC/SEF, 1997.
CAMPOS, M. Culturas locais e regionais:valores,mitos,lendas,e crenças.In:UNESCO. A criança descobrindo, interpretando e agindo sobre o mundo. Brasília: Edições Unesco, 2005.
CARDOSO, C. Gestão Intercultural do Currículo. 2º ciclo Lisboa: Presidência do Conselho de Ministros e Ministério de Educação, 2001.
FERREIRA , F.I.. Educação Intercultural. Lisboa: Fundação CalousteGulbenkian, 2005.
------. Animação, Gestão e Parceria. Lisboa: Universidade Aberta, 2013.
FREITAS,Fátima e Silva de. A diversidade cultural como prática na educação. Curitiba: Intersaberes, 2012.
GONÇALVES, L. A.; SILVA, P. B. O Jogo das diferenças: o multiculturalismo e seus contextos. Belo Horizonte: Editora Autêntica, 1998.
MARÍN, J. Globalização, diversidade cultural e prática educativa. Curitiba: Revista Diálogo Educacional, v.4, nº8, 2003.
MITTLER, P. Educação inclusiva: contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2013.
PEREIRA, J.H. Escolas de fronteira:espaços de trocas, diálogos e aproximações.v.II.Campo Grande: UFMS textos escolhidos, 2007.
PERES, A. N. Educação Intercultural utopia ou realidade? Porto: Editora Profedições, 2000.
PERESTRELO, M. Gerir a diversidade no quotidiano da sala de aula. Lisboa: Instituto de inovação educacional, 2011.
SOARES, M. B. Língua escrita, sociedade e cultura: Relações, dimensões e perspectivas. São Paulo: Revista Brasileira de Educação, 2013.
SOUZA, R. M. Preliminares sobre a paradoxal exclusão do outro: educação e sociedade. São Paulo: Ponto de vista, 2012.


DIREITOS HUMANOS - SEM IRONIA

Os direitos humanos são os direitos de todos os povos e de todos os indivíduos, independentemente de cor, raça, sexo, religião ou nacionalidade. Cada um de nós é responsável para tornar esses direitos incorporados plenamente à nossa realidade, seja respeitando-os, seja ajudando a promove-los e divulgando-os.
Portanto, quando falamos de “direitos humanos”, utilizamos a expressão como sinônimo de todos os direitos fundamentais do cidadão, ou seja, os direitos individuais, políticos, sociais, econômicos e difusos. Os direitos humanos são os direitos de todos os povos e de todos os indivíduos, independentemente de cor, raça, sexo, religião ou nacionalidade.
Não obstante a universalidade dos direitos proclamados em várias declarações de direitos (como nas revoluções Americana e Francesa ou mesmo na Declaração Universal de 1948) percebe-se facilmente o lugar social dos que defendiam tais direitos: são aqueles que, depois, serão chamados de burgueses.
Por causa de tal raiz liberal e individualista, grande parte da luta pelos direitos humanos, até os dias de hoje, se concentra em alguns eixos que interessam mais às classes burguesas, como são os direitos à liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade de imprensa, liberdade de propriedade. Apesar de serem direitos e valores inalienáveis, há que se reconhecer, são direitos exercidos preferencialmente por uma pequena parcela bem posicionada na sociedade e não por todos.
Assim sendo, cabe ao poder público e às entidades de defesa e promoção dos direitos humanos discutir e implementar projetos e programas que visam a garantia dos direitos econômicos, sociais e difusos, dado que são fundamentais para a garantia da dignidade de todos os seres humanos.
Neste sentido, os direitos humanos formam um conjunto de garantias (positivas, exigíveis, judiciáveis) do ponto de vista econômico, social, cultural, político e jurídico que vão efetivando progressivamente a dignidade humana — sem admitir retrocessos por nenhum motivo.
Esses direitos são universais, indivisíveis e interdependentes e, neste sentido, exigem ações articuladas e consistentes, estruturais e sustentáveis para a sua consolidação. Porém, como pudemos observar, não basta a conquista procedimental de direitos. É preciso construir as bases para a implementação das políticas públicas que visem assegurar a garantia dos direitos proclamados legalmente.
O poder público, ainda principal violador dos direitos humanos no Brasil, e as entidades de defesa e promoção dos direitos humanos vêm discutindo e implementando projetos e programas que visam à garantia dos direitos econômicos, sociais e difusos, entendendo serem eles fundamentais para a garantia da dignidade do ser humano, principalmente da grande maioria do povo brasileiro que se encontra excluída e marginalizada.
De fato, de que vale o direito à vida sem o provimento de condições mínimas de uma existência digna, se não de sobrevivência (alimentação, moradia, vestuário)? De que vale o direito à liberdade de locomoção sem o direito à moradia adequada? De que vale o direito à liberdade de expressão sem o acesso à instrução e à educação? De que valem os direitos políticos sem o direito ao trabalho?
Conheça, a seguir, alguns dos seus direitos, garantidos pela Constituição.
1. Garantias Constitucionais:
A. Ação Popular: ação judicial que visa a anular um ato que seja prejudicial ao patrimônio público, ao patrimônio histórico-cultural, ao meio ambiente e à moralidade administrativa. Pode ser movida por qualquer cidadão independentemente de taxas.
B. Mandado de Injunção: ordem judicial que assegura a qualquer cidadão o exercício de um direito fundamental previsto na Constituição, caso a norma não exista ou não tenha sido regulamentada.
C. Mandado de Segurança: ação judicial que visa anular um ato de autoridade praticado com ilegalidade ou abuso de poder contra um direito líquido e certo.
D. Mandado de Segurança Coletivo: ação movida por sindicato, partido político ou associação em defesa dos direitos de seus associados contra ato ilegal ou abusivo, praticado contra um direito líquido e certo.
E. Habeas Corpus: medida constitucional de que dispõe o cidadão para se defender dos atos ilegais (ameaça de prisão, prisão ilegal) praticados pela polícia ou outra autoridade. O pedido de habeas corpus não tem um padrão fixo, mas nele deve constar o nome do preso ou de quem está sofrendo ameaça, o nome da autoridade que está praticando a arbitrariedade e desde quando.
F. Habeas Data: medida que permite conhecer informações sobre uma pessoa ou retificar dados existentes sobre ela nos órgãos públicos.
G. Direito de Petição: direito de requerer informações, direito de denunciar irregularidades nos órgãos públicos.
2. Instrumentos do cidadão para defesa de direitos:
A. Medidas Jurídicas: mover ação popular; impetrar mandado de segurança; pedir habeas corpus; ajuizar ação indenizatória; fazer representação ao Ministério Público (Promotor de Justiça).
B. Medidas Administrativas: requerer aos órgãos públicos a obtenção de um direito; denunciar abusos e irregularidades; pedir audiência às autoridades; participar de audiências públicas.
C. Medidas Políticas: atuar em partidos políticos e movimentos sociais; organizar e mobilizar passeatas; fazer abaixo-assinados e manifestações em defesa de direitos; utilizar direito de petição; acionar a imprensa; atuar (uma entidade) em articulação com organismos internacionais.
D. Medidas Legislativas: elaborar projetos de lei de iniciativa popular; identificar direitos não regulamentados; pressionar para o cumprimento das leis existentes; participar de sessões na Câmara, na Assembleia e no Congresso; acompanhar o trabalho de vereadores, deputados e senadores.
Lembre-se: A casa é inviolável. Ninguém pode penetrar nela sem o consentimento do dono, salvo em caso de flagrante delito, de prestação de socorro ou, durante o dia, por determinação judicial.
Identificação Criminal: tendo a carteira de identidade, a pessoa não pode ser submetida a identificação criminal.
3. Condições para prisão:
 Em flagrante
 Por ordem escrita e fundamentada (mandado de prisão) do Juiz.
3.1. Sendo preso o cidadão, que direitos lhe são assegurados?
3.1.1. O direito de ter respeitada a integridade física e moral (não ser espancado ou submetido a humilhações);
3.1.2. De ter a prisão e o local onde se encontra comunicados imediatamente ao juiz e à família ou às pessoas indicadas pelo preso e de ser apresentado ao juiz plantonista logo após a prisão;
3.1.3. De ser informado dos direitos, entre os quais o de permanecer calado, de ser assistido por pessoas da família e por advogado (contratado ou cedido pelo Estado);
3.1.4. De saber a identidade dos responsáveis pela prisão ou pelo interrogatório na polícia;
3.1.5. De obter a liberdade provisória com ou sem pagamento de fiança, quando a lei assim o permitir;
3.1.6. De ter relaxada a prisão feita ilegalmente (o juiz deve fazer isso);
3.1.7. De manifestar livremente o pensamento;
3.1.8. De associar-se para fins lícitos;
3.1.9. De não sofrer qualquer tipo de discriminação


domingo, 26 de julho de 2015

PROCESSO DE APRENDIZAGEM - RECURSOS DE APRENDIZAGEM

Vamos tentar caracterizar bem o que entendemos por Recursos de Aprendizagem, pois estes assumem um papel de alta relevância, no contexto prático da execução dos programas de desenvolvimento. Por definição Recursos de Aprendizagem são todos os elementos utilizados pelos responsáveis (professores, facilitadores, consultores, etc.) para auxiliar a transmissão de conhecimentos, a experimentação de habilidades e a formação de atitudes. Eles podem ser categorizados como recursos de natureza material e de natureza humana. Podem ser nomeados de formas muito diversas, tais como: recursos didáticos, recursos de ensino, meios de aprendizagem, meios de ensino, materiais didáticos, multimeios de ensino e aprendizagem e, num sentido mais restrito, recursos audiovisuais. Nas duas últimas décadas ocorreu uma grande evolução na criação de recursos de ensino e aprendizagem que pudessem ser aplicados a diferentes contextos e necessidades. Não restam dúvidas que o avanço da tecnologia é em grande parte responsável por este crescimento e, de certa forma, transformou e está transformando as tradicionais salas de aula. Mas é bom ter em conta que os recursos devem estar a serviço dos objetivos de ensino e aprendizagem que se pretende alcançar e não serem um fim em si mesmos. A rigor, eles devem ser usados para facilitar, acelerar e incrementar a aprendizagem e não para diminuir o trabalho do facilitador ou simplificar o trabalho dos aprendizes. Os recursos podem também ser classificados, numa perspectiva mais ampliada de suas finalidades, como aqueles que são aplicados no contexto específico da própria situação de ensino e aprendizado que está sendo intermediada por um facilitador. Mas podem também ser vistos em contextos mais amplos, onde se dá a ação do aprendiz, como no seu trabalho, em casa, enfim, nos diversos ambientes onde ele possa estar exercendo papéis sociais. Falando dos recursos de natureza humana, isto é, das pessoas que estão envolvidas na situação de aprendizado, temos que ampliar a nossa perspectiva de entendimento, considerando até mesmo o próprio ‘aprendiz’ como um recurso privilegiado para o aprendizado. Talvez a maior parte do que aprendemos se dê no contexto das relações que estabelecemos com as demais pessoas. Num certo sentido, são as outras pessoas que permitem termos os ‘insights’ do nosso aprendizado. Elas reagem aos nossos comportamentos, e nós captamos suas reações (via percepção consciente) do que estamos fazendo diferente e, portanto, daquilo que modificamos em nós pelo aprendizado. Vis-à-vis, esta é uma experiência muito semelhante ao que ocorre no tradicional contexto das salas de aula, onde o professor ou facilitador é o principal meio ou recurso para facilitar o aprendizado. Nesta perspectiva, o aprendizado deve, através da estimulação, orientação e utilização de técnicas adequadas (principalmente as andragógicas), permitir ou levar os aprendizes a aprenderem por si mesmos (autoaprendizado). Vale lembrar que estamos tratando do contexto das ‘trilhas de aprendizagem em liderança’, principalmente para gerentes e supervisores de base. É evidente que todas estas pessoas já tiveram diversas experiências de aprendizados, boas e ruins. Ao desenharmos trilhas e programas de liderança é recomendável saber o histórico destas últimas experiências que tiveram com uso dos recursos de aprendizado.  Outro aspecto importante na escolha dos recursos de ensino e aprendizagem está relacionado à composição dos grupos que passarão pelos programas. Não tem sido incomum, nos últimos anos, termos participantes de diferentes gerações num mesmo grupo, com diferentes habilidades (facilidades) de lidar com as tecnologias de informação e comunicação. É preciso planejar muito bem o uso destes meios para não ter de lidar com situações de constrangimento e até mesmo de bloqueio do aprendizado de parte do grupo. O assunto recursos de ensino e aprendizagem é vasto e sabemos que somente falamos de sua importância dentro do contexto do que estamos tratando. Acredito que estamos no limiar de uma nova revolução nesta área, onde os ‘games virtuais’, juntamente com situações em contextos vivenciais, serão muito brevemente a grande onda para facilitar o aprendizado de uma série de competências gerais e, particularmente, em liderança e gestão. 

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A RELEVÂNCIA DOS SENTIMENTOS NA EDUCAÇÃO

Sempre acreditei que lidar com as emoções de alunos é de extrema relevância, pois ajuda muito na resolução de conflitos coletivos e individuais das crianças. Por isso quero falar um pouco do projeto Amigos do Zippy, para quem não conhece, trata-se de um projeto realizado por Tania Paris, presidente da ASEC (Associação pela Saúde Emocional de Crianças), entidade sem fins lucrativos que se dedica ao desenvolvimento e expansão de programas de educação emocional no Brasil. 
O projeto oferece capacitação para os educadores que tem o interesse em desenvolver o programa com as crianças e eles recebem todo o material necessário, desde apostilas metodológicas, com aulas estruturadas, ilustrações para darem vida às histórias e moldes para os materiais para brincadeiras até pôsteres grandes e coloridos para a sala de aula, crachás para as crianças, guias para os pais etc. “Existe uma metodologia própria, que privilegia o aprendizado de lidar com dificuldades de forma crescente, desde as mais simples até as mais complexas, como a perda de um ente querido, passando por situações de rejeição, bullying e conflitos”, explica Tania.
Sobre o projeto:
O Amigos do Zippy começou no final da década de 90, com projetos piloto na Dinamarca e na Lituânia – países que, na época, apresentavam diferenças culturais marcantes, já que o primeiro era bastante liberal enquanto o segundo saída de um regime comunista. Em cada um, 300 crianças fizeram parte das aulas de desenvolvimento emocional, e tiveram seus resultados comparados com 300 crianças que não participaram.
“Os resultados foram muito semelhantes, apesar de as crianças terem características muito distintas”, conta Tania, “por isso, ficou visível que o programa funcionava”. Com base nesses resultados, surgiu a organização Partnership for Children, em Londres, responsável por levar a iniciativa para o resto do mundo.
Hoje, o Amigos do Zippy está em 31 países e em 6 estados brasileiros. Apenas no Brasil, 220 mil crianças de escolas públicas e particulares já passaram pelo projeto. “Não fazemos distinção. Nosso pensamento é que todos são pessoas e todos enfrentam situações ruins. Nossa maior dificuldade em resolver um problema é lidar com o que nós estamos sentindo em relação ao problema”.
Capacitação do professor:
O Amigos do Zippy atua principalmente com a capacitação dos professores. “É importante que sejam eles a levar essas lições para a escola porque eles já têm um relacionamento próximo com as crianças e conhecem seu histórico”. Também por esse motivo, os educadores são livres para adaptar os ensinamentos recebidos de acordo com a necessidade dos alunos.
“Modifiquei minha metodologia em sala e sinto que, agora, conheço meus alunos porque ouço o que eles falam. Nós nos acolhemos mutuamente e, principalmente, resolvemos juntos os conflitos. Profissionalmente, me sinto mais madura agora”, diz um dos relatos de professores recolhidos pelo Amigos do Zippy ao final do período letivo. Após um ano de reuniões e acompanhamentos, a diferença mais marcante é a atenção redobrada às necessidades e dificuldades emocionais de cada criança. Através de atividades, as crianças passam a se expressar com confiança e fortalecem o vínculo com colegas e professores.
“A maior dificuldade em resolver um problema é lidar com o que nós estamos sentindo em relação ao problema”.(Tania Paris – presidente da ASEC)
Se crianças pequenas aprendem a lidar com suas emoções, elas serão mais aptas a enfrentar crises na idade adulta.
Imagine chegar em casa e começar a fazer o jantar enquanto seu filho assiste televisão. Vocês conversam – um na cozinha, o outro, na sala, e ambos distraídos com outras tarefas. Até que o assunto começa a ficar mais delicado. O menino, então com sete anos, desliga a TV e caminha até o lado do fogão: “Eu aprendi que, quando estamos falando sério, temos que olhar nos olhos”.
“A mãe fica emocionada ao contar essa história”, diz Tania, “porque percebe que esse é um aprendizado que muda a relação de toda a família”.
O aprendizado, no caso, foi adquirido através do programa Amigos do Zippy, iniciativa que deu origem à ASEC e que, há dez anos, capacita professores brasileiros para cultivar a inteligência emocional de crianças do primeiro e segundo ano do Ensino Fundamental. Define-se a educação sócio-emocional como a habilidade de identificar e gerenciar emoções, estabelecer relacionamentos saudáveis e contornar comportamentos destrutivos – qualquer ação que a pessoa realize em prejuízo de si mesma.
“Existem muitos programas de prevenção, mas nós trabalhamos com a promoção”, explica Tania. “Por exemplo, ao prevenir uma doença, você procura fatores de risco e trabalha para combatê-los. Mas uma solução mais ampla seria promover a saúde através de hábitos saudáveis, ou fatores de proteção”. Daí a decisão de desenvolver, desde a infância, habilidades que garantam a saúde emocional e mental das crianças. Dessa forma, quando confrontadas com situações difíceis, no futuro, elas terão as ferramentas para buscar soluções por conta própria.
Para isso, as turmas participam de seis módulos:
Sentimentos: São analisadas a tristeza, a alegria, a raiva, o ciúme e o nervosismo. Aqui, as crianças praticam falar sobre como se sentem e buscam maneiras de se sentir melhor;
Comunicação: Ensina a ouvir, pedir ajuda e dizer o que desejam em situações difíceis;
Começando e interrompendo relacionamentos: Esta é uma aula sobre amizade, em que a turma aprende como fazer e conservar amigos, como lidar com a solidão e a rejeição, e como fazer as pazes após desentendimentos;
Resolução de conflitos: Aborda, em particular, a questão do bullying, como identificar e desconstruir essa violência e com quem conversar ao presenciar uma intimidação;
Lidando com mudanças e perdas: Cria um espaço para falar sobre morte e separação;
Nós sabemos lidar com dificuldades: É o módulo final, que reforça os aprendizados obtidos durante os encontros e discute como ajudar os outros e se adaptar à diferentes situações.
Cada tema é tratado de uma forma distinta, que pode ser desde uma dramatização até um desenho, passando por várias discussões entre o grupo. Tania percebe que “as crianças reconhecem o programa como uma aula para brincar. E é fundamental que ele seja muito lúdico”. Geralmente, as temáticas são introduzidas através de uma história em que o personagem experimenta certos desafios. Ao sugerir soluções para o personagem, as crianças estão, paralelamente, descobrindo o que elas poderiam fazer ao se encontrarem naquela mesma situação.
Ao final de um ano de encontros, pais e professores narram uma série de avanços: melhora na leitura e escrita, maior interesse pela escola e vontade de aprender, desenvolvimento da comunicação, expressão de sentimentos e autoconfiança. Tudo isso influencia diretamente no aprendizado cognitivo, ou seja, no desempenho acadêmico dos alunos. Na história, Zippy é um inseto cujos amigos são crianças. A leitura do livro dá início a um debate e outras atividades lúdicas sobre os desafios que ele enfrenta.
Melhora cognitiva:
Um estudo americano com 300 mil crianças mostrou que aquelas que estavam inseridas em programas de desenvolvimento de habilidades emocionais apresentaram um rendimento escolar de 11 a 17% superior do que as que não participaram. Outras pesquisas vão mais longe: um projeto da Unesco na América Latina, que abrangeu 54 mil estudantes, concluiu que quem convive harmoniosamente com os colegas pode atingir notas até 46% mais altas do que aqueles que habitam ambientes de conflito.
Esses resultados ressaltam a importância de duas frentes na hora de cultivar a saúde emocional: o desenvolvimento de habilidades e o ambiente de apoio. Não basta, portanto, ensinar a criança sobre respeito e solução de problemas se os locais em que ela transita não forem, também, ambiente seguros, onde ela se sinta ouvida e bem cuidada.
“Quem experimenta com frequência emoções positivas tem mais facilidade para planejar e estabelecer metas a longo prazo. Esses estados positivos preparam para um aprendizado mais rápido e um melhor desempenho intelectual. A isto se somam outros importantes benefícios psicossociais, que permitem que as crianças e os professores convivam em um clima muito mais saudável, com menos agressão e bullying”, disse a educadora e pesquisadora Laura Oros ao portal Terra Educação. Os benefícios permanecem na vida adulta, implicam em vidas profissionais bem sucedidas, casamentos saudáveis e menos propensão à depressão e outras doenças.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

PERÍODO REGENCIAL NO BRASIL


O chamado Período Regencial no Brasil estendeu-se do ano de 1831 ao ano de 1840, quando houve o Golpe da Maioridade, que levou o ainda adolescente D. Pedro II ao poder. Esse período foi caracterizado por acirradas disputas políticas e conflitos armados (conhecidos como Revoltas Regenciais).
A partir de 1831, o Brasil viu-se sem o imperador, pois D. Pedro I abdicara do trono em favor de seu filho. O rei tinha assuntos políticos a resolver em Portugal com seu irmão, D. Miguel, a respeito da herança do trono português. Com a vacuidade do trono brasileiro, alguns políticos destacados encarregaram-se de reger a instituição imperial com o objetivo de sustentar a unidade da nação recém-independente até que D. Pedro II pudesse assumir. O Período da Regência foi dividido em três partes principais:
1) Regências Trinas (1831-1835)
2) Regência una de Feijó (1835-1838)
3) Regência una de Araújo Lima (1838-1840)
A fase das Regências Trinas dividiu-se em duas etapas. A primeira foi a Regência Trina Provisória (1831), que durou um curto período de dois meses e ficou caracterizada por salvaguardar a instituição da Regência Permanente e a composição de um gabinete ministerial. Essa salvaguarda era importante, haja vista que o Brasil ainda não possuía, nessa época, uma estrutura militar e um poder central coeso. Qualquer desleixo político poderia resultar na fragmentação do império. Essa fase foi composta pela tríade: Nicolau Pereira CamposVergueiro, José Joaquim Carneiro de Campos e Francisco Lima e Silva.
A segunda fase da Regência Trina ficou conhecida como Regência Trina Permanente (1831-1835). Nesse período, efetivou-se o governo dos regentes, que ficaram sendo José da Costa Carvalho (o Marquês de Monte Alegre),Francisco Lima e Silva e João Bráulio Muniz. O gabinete ministerial dessa fase era eminentemente conservador. O Ministério da Justiça foi confiado à figura do padre Diogo Antônio Feijó, que tratou de instituir a Guarda Nacional, além de renovar os quadros militares e promover uma série de outras reformas, incluindo a elaboração do Ato Adicional, de 1834, que garantiria as eleições para um novo governo, composto por um só regente.
Feijó tornou-se uma figura destacada ao longo da Regência Trina Permanente e conseguiu vencer as eleições por uma margem de votos bem pequena com relação ao seu adversário, Holanda Cavalcanti, como assinala o historiador Boris Fausto a respeito do período em que Feijó esteve no poder:
“Nas eleições para a regência única, realizadas em abril de 1835, o padre Feijó derrotou seu principal competidor, Holanda Cavalcanti, proprietário rural de Pernambuco. O corpo eleitoral era extremamente reduzido, somando cerca de 6 mil eleitores. Feijó recebeu 2.826 votos, e Cavalcanti, 2.251. Pouco mais de dois anos depois, em setembro de 1838, Feijó renunciou. Ele sofrera pressões do Congresso, sendo acusado de não empregar suficiente energia na repressão aos farrapos, entre cujos chefes estava um de seus primos. Nas eleições que se seguiram, triunfou Pedro Araújo Lima, futuro marquês de Olinda, antigo presidente da Câmara e senhor de engenho em Pernambuco.” [1]
A renúncia de Feijó conduziu a elite política a novas eleições, e Araújo Lima foi eleito o novo regente. Alguns autores veem a regência de Lima como regressiva com relação aos avanços do Ato Adicional de 1834. Todavia, a segunda metade da década de 1830, para o Brasil, foi repleta de turbulências, sobretudo pelas revoltas que ocorreram nas Províncias. Além da já citada por Boris Fausto, a Revolução Farroupilha, houve também a Sabinada, a Balaiada e a Cabanagem.Além dessas revoltas, houve também as revoltas de escravos, como a do Quilombo de Vassouras e a Revolta dos Malês.

NOTAS
[1] Fausto, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2013. p.147.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

DUTRA O PRESIDENTE ESQUECIDO

Neste 18 de maio devíamos ter reverenciado Dutra na lembrança de seu nascimento, o cuiabaninho que vendia bolos no centro de Cuiabá e que chegou a presidente da República. Filho de viúva de veterano da Guerra do Paraguai, pobre, sem qualquer ajuda, negada reiteradas vezes pelas autoridades, saiu daqui lavando pratos nas lanchas e trens que o levaram a um colégio militar, e de lá à presidência da República e à História do país. Foi e venceu, mantendo forte influência na política brasileira até o fim da vida. Um orgulho cujo aniversário, entretanto, passou despercebido, em especial, em sua própria terra, da mesma forma como é todos os anos e como foi ano passado, ano da Copa do Pantanal que devia tê-lo como grande homenageado. Dutra foi quem trouxe para o Brasil a primeira Copa do Mundo, em 1950. Presidente, queria mostrar ao mundo um Brasil novo, que deixava de ser rural e se industrializava. Construiu o Maracanã, o maior investimento até então em um esporte ainda não popular no mundo e que, junto com a Copa trazida por ele foi uma das causas da consolidação do futebol como uma das maiores paixões de massa do país e do mundo. 
Não fosse pela Copa de 50, mesmo assim o aniversário de Dutra deveria ser lembrado. Injustiçado pela história oficial, sua vida pública inicia como ministro da Guerra, onde ficou por 9 anos, o ministro brasileiro mais duradouro, onde criou a FEB e depois, com o apoio dos oficiais vitoriosos contra as ditaduras nazifascistas, forçou a queda do ditador Getúlio. E de ministro foi a presidente pelo voto do povo, tendo sido um dos mais importantes pelas inovações que trouxe ao Brasil. De imediato convocou a Constituinte redemocratizando o país. Eleito para um mandato de seis anos curvou-se à nova Constituição aceitando os cinco anos que ela estabelecia, mesmo sendo presidente e o militar mais poderoso do país. Aos que temiam a volta de Getúlio e lhe propunham um golpe para ficar mais um ano, respondeu: “nem um minuto a mais, nem um minuto a menos do que manda o livrinho”. Virou “o homem do livrinho”, da Constituição mais democrática que o Brasil já teve, assinada por ele, trazida sempre em seu bolso.
 Dutra introduziu o planejamento no Brasil com o Plano SALTE e criou o CNPq, cuja Lei de criação é tida com a Lei Áurea da tecnologia brasileira. Implantou o conceito de Produto Interno Bruto e pavimentou a primeira grande estrada no Brasil, a Via Dutra. Criou o Instituto Rio Branco, base da qualidade de nossa diplomacia, e a Chesf. É dele também a criação do Estado Maior das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra, fundamento da inteligência estratégica nacional. Criou ainda os sistemas Sesi, Sesc e Senai, e durante seu governo foi implantada a TV no Brasil. Pagou o pato pelo fechamento do Partido Comunista, na verdade uma decisão do STJ, e por isso, e também por ter fechado os cassinos, desagradou à esquerda formadora da intelectualidade da época, e foi jogado ao ostracismo.
     Uma das promessas da Copa do Pantanal foi a criação do Memorial Dutra, uma justa e oportuna homenagem a um presidente em sua terra natal. O projeto foi depois abandonado, mas não pode ser abandonado pelos cuiabanos. Quem sabe através de suas criações SESC, SESI, ou SENAI, que tanto já tem dado a Cuiabá e Mato Grosso, ou quem sabe as 3 juntas? Talvez o seu nome em uma via como tem seu adversário derrotado nas eleições presidenciais? Não teria sobrado um viaduto, trincheira ou avenida para ele? Talvez trazer para Cuiabá o Colégio Militar prometido desde a década de 50? Toda cidade é um centro produtor, mas o principal produto de uma cidade é sua gente. Por isso, as cidades lembram e reverenciam seus vultos. Infelizmente, nem todas